Segundo ela, o sentimento após as conclusões do relatório vai de encontro com aquilo que as famílias vinham sentindo desde o acidente. "O relatório final aponta situações que a gente fica ainda mais estarrecida, porque não é possível que um dono de uma empresa, equipes, colaboradores assumam esse risco [que foi assumido]. Não é possível que se normalize essa insegurança. É lamentável, e esse é o nosso sentimento de revolta por essa empresa criminosa que matou os nossos familiares", desabafou Adriana à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná. Rafael Fernando dos Santos e Liz Ibba dos Santos passariam o dia dos pais em Florianópolis — Foto: Arquivo pessoal Nesta quinta-feira (23), quase dois anos depois da queda, o Cenipa divulgou o relatório final, que reúne a análise técnica do acidente e recomendações para aumentar a segurança da aviação e evitar novas tragédias. Após a apresentação para familiares das vítimas, o relatório foi apresentado à imprensa. Ele apontou que ao menos 19 fatores foram contribuintes para a queda da aeronave. À RPC, Adriana Ibba destacou que o relatório apontou várias falhas sistêmicas por parte da companhia aérea e na fiscalização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). "A Anac realizou várias auditorias antes do acidente no dia 9 de agosto de 2024, por exemplo, e nada foi feito. A recomendação do Cenipa para a Anac é que a agência reforce e entenda ali o seu sistema, para que haja gerenciamento de crise, ou seja, para que de fato eles atuem antes de uma [nova] tragédia acontecer", afirmou Adriana. As investigações apontaram que as auditorias e inspeções realizadas pela Anac no operador antes do acidente revelaram diversas não conformidades técnicas e procedimentais. No relatório final, o Cenipa recomenda uma série de ações para a Anac, entre elas, a revisão e atualização dos processos de gerenciamento de risco, em especial os decorrentes da vigilância continuada, a fim de auxiliar na tomada de decisões estratégicas para mitigar os riscos no ambiente fiscalizado pela agência. A Voepass informou que vai se manifestar após ter acesso à íntegra do relatório final. LEIA HISTÓRIAS DE OUTRAS VÍTIMAS DO ACIDENTE: Como foi a queda Escombros de avião em Vinhedo (SP) neste sábado, dia 10 de agosto de 2024 — Foto: Nelson Almeida/AFP O avião saiu de Cascavel às 11h46 e pousaria em Guarulhos. Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), o voo ocorreu dentro da normalidade até as 13h20, mas, a partir das 13h21, a aeronave não respondeu às chamadas da torre de São Paulo, bem como não declarou emergência ou reportou estar sob condições meteorológicas adversas. A perda do contato radar ocorreu às 13h22. A aeronave pertencia à companhia aérea Voespass Linhas Aéreas, antiga Passaredo, e se tratava de um avião turboélice modelo ATR-72. Logo após a tragédia, duas investigações foram abertas. O Cenipa passou a apurar os fatores que contribuíram para a queda e indicar medidas para evitar novos acidentes. Já a Polícia Federal iniciou um inquérito para apurar se houve crime e produzir um laudo próprio sobre o caso, já que o relatório do Cenipa não pode ser usado para responsabilização criminal. Avião que caiu em Vinhedo — Foto: Reprodução/TV Globo Um mês depois, o Cenipa divulgou o relatório preliminar da investigação. O documento confirmou que a aeronave enfrentou condições severas de formação de gelo e registrou que a tripulação relatou uma possível falha no sistema antigelo durante o voo. Também mostrou que o sistema foi acionado e desligado várias vezes ao longo da viagem, mas sem concluir se isso ocorreu por ação dos pilotos ou por outro motivo. Enquanto as investigações avançavam, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu as operações da Voepass, em março de 2025. Três meses depois, cassou o Certificado de Operador Aéreo (COA) da empresa, impedindo a companhia de operar voos comerciais. Quase dois anos depois da tragédia, o Cenipa concluiu as investigações e divulgou o relatório final, que reúne a análise técnica do acidente e recomendações para aumentar a segurança da aviação e evitar novas tragédias. LEIA TAMBÉM: VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná