Pré-candidato à Presidência alimentou teoria conspiratória contra integridade do sistema eleitoral 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O prédio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, demonstra dificuldade em aprender a lição dada pelas instituições brasileiras desde o início desta década. Repetidas decisões reafirmaram o caráter inegociável da democracia garantida pela Constituição. Tentativas de erodir a confiança nas urnas, sem apresentar indício algum, meramente por cálculo político em benefício próprio, são inaceitáveis. Copiando comportamento de seu pai, foi exatamente o que fez Flávio em encontro em Brasília com a presença de membros do corpo diplomático. O senador mencionou documentos da CIA divulgados pela Casa Branca na semana passada sobre tecnologia criada pela empresa Smartmatic e usada em eleições na Venezuela. “Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, disse Flávio. É mentira. Sabe-se há anos que a afirmação é falsa. O próprio documento da CIA citado é categórico ao dizer que “nem a Smartmatic nem o governo venezuelano tinham a capacidade de manipular o resultado de uma eleição fora da Venezuela”. Feita a introdução enganosa, Flávio pediu “que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para as nossas eleições” e “também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e como o Brasil pode dar eleições mais seguras e transparentes”. Usando recurso característico de Donald Trump, foi ambíguo de forma deliberada. Antes de lançar dúvidas sobre as urnas eletrônicas, disse que não estava “questionando o sistema de votação brasileiro”. Apesar da contradição, ficou evidente a tentativa de desacreditar a integridade do pleito. Em caso de derrota em outubro, a culpa será da fraude inventada. A reação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se resumiu a um desmentido. O curioso no discurso populista é que as pretensas falhas nas urnas só existem quando as campanhas apresentam problemas ou o candidato perde uma eleição. Flávio chegou à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro em 2003 e foi reeleito três vezes antes de assumir mandato como senador em 2019. Agora, com a queda recente em pesquisas de opinião e a viabilidade da candidatura sendo contestada, decide alimentar teorias conspiratórias. O sistema de voto eletrônico no Brasil é referência mundial e não tem antecedentes de fraudes. Apesar do histórico positivo, o TSE deve se manter sempre atento. É do interesse de todos que eventuais problemas sejam apontados. Mas o tema exige a apresentação de indícios sólidos ou provas. A irresponsabilidade nesse caso não é inócua. Denúncias oportunistas e falsas corroem a credibilidade das urnas eletrônicas, sem a qual não há democracia. Em junho de 2023, tal entendimento serviu de base para o plenário do TSE declarar Jair Bolsonaro inelegível por oito anos pela primeira vez. Em julho do ano anterior, Bolsonaro realizara reunião no Palácio da Alvorada com embaixadores estrangeiros para atacar a integridade do processo eleitoral. O contexto da reunião de Flávio nesta semana e de Bolsonaro há quatro anos é diferente. Como presidente, Bolsonaro usou a estrutura do governo para realizar o evento e disseminar as desinformações. A mensagem de pai e filho, porém, é a mesma. Por isso o TSE precisa estar vigilante.
Desinformação de Flávio sobre urnas exige vigilância do TSE
Pré-candidato à Presidência alimentou teoria conspiratória contra integridade do sistema eleitoral















