Se é verdade que tragédias naturais de grande magnitude, como terremotos, catalisam mudanças na política da América Latina desde o século passado, também o é que seus efeitos não são tão rápidos e, muito menos, fáceis de prever.

Um mês após os terremotos que destruíram parte da Venezuela, os desdobramentos políticos dessa tragédia e da resposta que se seguiu pelo regime chavista, hoje tutelado pelos Estados Unidos, continuam incertos.

Duas expectativas contrárias convergiam logo após o desastre. A primeira, a de que ele acelerasse a transição para a democracia, já que a incapacidade do Estado de ajudar a população ficou evidente. A segunda, de que dificultasse esse processo, sob a desculpa de que era preciso cuidar da reconstrução para depois redemocratizar.

Quatro semanas após a tragédia que matou cerca de 5.400 pessoas, não se sabe para qual lado esse movimento pendeu.

Ainda sob desconfiança da sociedade civil, a última movimentação política ocorreu há cerca de dez dias, quando foi anunciado que a Assembleia Nacional (o Congresso unicameral da Venezuela) dará início, em 1º de agosto, a conversas com a chamada Assembleia Nacional de 2015, um grupo de opositores que foi eleito de forma democrática naquele ano, mas impedido de legislar pelo chavismo.