Diante de uma plateia lotada, o escritor e colunista da Folha Ruy Castro foi enfático. "Inteligência artificial pode ser fabulosa na medicina, na comunicação e na ida para o espaço. Agora, no sentido da criação, não digo nem só da criação literária, mas da própria absorção do conhecimento, eu acho uma desgraça."

A afirmação foi feita numa mesa da Casa Folha, espaço do jornal na Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty, nesta quinta-feira (23). O encontro teve ainda a participação de Alvaro Costa e Silva, também colunista, e foi mediado pelo jornalista André Barcinski, colaborador da Folha.

Autor de livros como "Chega de Saudade" e "Trincheira Tropical: A Segunda Guerra Mundial no Rio", Castro diz que a inteligência artificial não raro comete erros. Para ilustrar seu argumento, contou um causo que provocou risadas no público. Há pouco tempo, relatou ter perguntado para uma plataforma de IA em que rua o músico Tom Jobim havia morado em 1967.

"Eu recebi a seguinte resposta: ‘Tom Jobim nunca morou na rua. Morou em prédios e casas", disse o escritor. "Ela comete erros horríveis e você acredita nela porque está sendo instruído, ensinado a acreditar."

Outro tema candente discutido na mesa foi a questão identitária, ou seja, os debates em torno dos direitos de grupos como mulheres, negros e pessoas LGBTQIA+. O chamado identitarismo tem ganhado visibilidade em discursos políticos, programas de TV, debates acadêmicos e em colunas de opinião publicadas em jornais e revistas.