Em uma época não tão remota, a publicação de relatórios do FMI (Fundo Monetário Internacional) vinha acompanhada de grande nervosismo no debate público brasileiro. Os mercados reagiam e a mídia especializada escrutinava cada detalhe. O temor dos impactos que poderiam ser causados pelas condicionalidades exigidas pelo FMI como parte dos programas de empréstimo mobilizava os movimentos sociais.

Felizmente, desde 2005, o Brasil virou uma página em sua relação com o FMI. Naquele ano, quitamos de forma antecipada nossa dívida e passamos a ser credores do fundo. Hoje em dia, em vez de condicionalidades que precisam ser cumpridas, o relatório anual do FMI traz uma avaliação externa de alto nível da economia brasileira, com a qual temos total liberdade para concordar ou discordar.

O relatório anual de 2026 acaba de ser divulgado. Em primeiro lugar, ele confirma a "notável resiliência da economia brasileira". O FMI espera um crescimento de 2,4% em 2026, apesar do cenário externo desafiador. Mais importante, o crescimento potencial de médio prazo é estimado em 2,5%, substancialmente acima das estimativas de mercado. Ganharam destaque as conquistas sociais dos últimos anos, como o declínio do desemprego, da pobreza e da desigualdade, bem como a saída do Brasil do Mapa da Fome.