Ações ofensivas elevam as pressões sobre o Oriente Médio, onde o conflito entre EUA e Irã se intensifica com novos ataques confirmados entre a noite e a madrugada 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Apoiadores do movimento Houthi, apoiado pelo Irã, exibem suas armas durante um protesto em Sanaa, em 17 de julho de 2026, contra o que o grupo descreve como restrições impostas pela coalizão liderada pela Arábia Saudita — Foto: Mohammed Huwais/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/07/2026 - 09:04 Ataques Houthis a Petroleiros Sauditas Agravam Tensão no Oriente Médio Os ataques dos rebeldes houthis a petroleiros sauditas no Mar Vermelho, em resposta ao apoio saudita ao governo iemenita, aumentam as tensões no Oriente Médio e afetam o mercado global de petróleo. A ofensiva, parte do conflito entre EUA e Irã, ameaça rotas marítimas cruciais e eleva o preço do barril. Os EUA acusam o Irã de influenciar os houthis, enquanto o impacto econômico pode ser significativo se o bloqueio persistir. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Arábia Saudita confirmou nesta quinta-feira que um navio-petroleiro do país foi atingido por um projétil no Mar Vermelho e sofreu um incêndio a bordo, após o grupo rebelde Houthi — aliado do Irã no Iêmen como parte do "Eixo da Resistência" — anunciar ter disparado contra duas embarcações de Riad na região. Os houthis anunciaram um bloqueio naval contra embarcações sauditas na segunda-feira, em resposta a um ataque direcionado ao país na semana passada — um desdobramento que eleva as pressões sobre o Oriente Médio, onde o conflito entre EUA e Irã se intensifica com novos bombardeios registrados entre a noite e a madrugada. Um funcionário da Autoridade Geral de Transportes da Arábia Saudita ouvido pela mídia estatal confirmou que um navio-petroleiro do país, batizado de Encelia, foi "atingido por um ataque enquanto navegava no Mar Vermelho". Um incêndio foi registrado na proa da embarcação, mas a tripulação estaria em segurança. Dados cruzados pela CNN entre o relato oficial, imagens de satélite e boletins de agências que monitoram o tráfego marítimo sugerem que o navio teria sido atingido a cerca de 70 milhas náuticas da costa saudita. Não há confirmação de que outra embarcação tenha sido atingida, mas um petroleiro de nome Layla teria sido o alvo de disparos. Uma missão naval da União Europeia havia emitido um alerta ainda na quarta-feira sobre a iminência de um ataque houthi na região, recomendando que qualquer embarcação que tivesse passado por um porto saudita reduzisse sua pegada eletrônica, e que o risco para qualquer embarcação ou empresa de navegação afiliada a Estados Unidos, Israel e Arábia Saudita era "alto", dado o preparativo dos rebeldes na região próxima ao Estreito de Bab al-Mandeb. Alguns petroleiros sauditas já tinham retornado aos portos de origem após a ameaça. A confirmação dos ataques mexeu com o mercado internacional de petróleo, uma vez que a rota naval do Mar Vermelho, que inclui a passagem para a Europa via Canal de Suez e a conexão com o Golfo de Aden, era a principal rota de escoamento da produção saudita com o fechamento do Estreito de Ormuz pelo conflito EUA-Irã. O preço do barril voltou a se aproximar dos US$ 100 nos principais balcões de negociação, com o Mar do Norte alcançando US$ 98,47. Bloqueio de estreito no Mar Vermelho pode comprometer mercado global — Foto: Editoria de Arte / O Globo Embora os houthis apontam o bloqueio naval aos sauditas como uma resposta a um desdobramento da guerra civil iemenita — Riad apoia o governo internacionalmente reconhecido do Iêmen, que atacou um aeroporto em território dominado pelos rebeldes —, autoridades afirmam que a ação tem conexão com a conflagração regional. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusou os houthius de agirem no Mar Vermelho por influência do Irã. — Os houthis, em grande parte, agiram com inteligência e se mantiveram à margem de tudo isso ao longo do conflito, mas agora, aparentemente, deixaram-se levar nessa história, atacando a Arábia Saudita e seus navios — declarou Rubio à imprensa, à margem de uma cúpula do Sudeste Asiático em Manila. — Espero que eles reduzam a tensão, porque acho que os houthis, francamente, foram enganados pelos iranianos para entrar nessa. Conflagração regional Em conversa com jornalistas, o secretário de Estado também discorreu sobre a troca de ataques com o Irã, que teve uma nova rodada entre a noite de quarta e a madrugada desta quinta-feira. Rubio disse que o presidente Donald Trump determinou que a abordagem com Teerã seguisse uma lógica de "uma cabeça por um olho" — uma paráfrase do lema "olho por olho", que o Irã diz seguir, destacando que há a intenção de agir de forma desproporcional. No campo de batalha, o Comando Central dos EUA no Oriente Médio relatou sua décima segunda noite consecutiva de ataques para "reduzir ainda mais a capacidade do Irã de ameaçar navegantes civis e embarcações comerciais que transitam pelas águas da região". A Guarda Revolucionária iraniana, por sua vez, disse ter atacado e destruído vários meios militares americanos na Jordânia, incluindo supostamente um radar do sistema de defesa antimísseis THAAD dos EUA, um sistema Patriot, um radar C-RAM e um hangar de helicópteros. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em conversa com jornalistas durante o encontro de países do Sudeste Asiático — Foto: Brendan Smialowski/AFP Apesar da ofensiva descrita por Teerã — que os EUA acusam frequentemente de não corresponder à realidade no terreno, tratando as alegações como mera narrativa —, Rubio afirmou que as autoridades iranianas estariam "implorando" por um acordo, por meios diretos e indiretos, mas citou o histórico de negociações fracassadas, culpando a liderança da nação persa, que disse não manter os termos negociados em fases anteriores. — No momento, aparentemente, eles não caíram em si. Por isso, o presidente não vê muita utilidade em responder às suas iniciativas de diálogo agora, pois, francamente, o Irã claramente não está pronto para fazer um acordo, pelo menos não um que estejam dispostos a cumprir — disse. Impacto econômico Desde as primeiras semanas da guerra entre EUA e Irã, a Arábia Saudita tem dependido de um oleoduto que divide o país ao meio para redirecionar milhões de barris de petróleo do Golfo Pérsico para o Mar Vermelho. A maior parte desse petróleo chega ao mercado através de Bab el-Mandeb. Uma porção menor segue para norte, até ao Mar Mediterrâneo, através de um oleoduto que atravessa o Egito ou, no caso de combustíveis derivados do petróleo, através de Suez. Se os houthis conseguirem bloquear completamente o acesso da Arábia Saudita ao Mar Vermelho, eles retirariam cerca de 4% do petróleo mundial do mercado global. Essa estimativa, baseada em dados da agência de monitoramento de navegação Kpler, seria adicional à atual perda imposta pelo bloqueio de Ormuz. A Arábia Saudita tem usado a passagem por Mandeb — adjacente à zona controlada pelos houthis em terra — para exportar cerca de 3,6 milhões de barris de petróleo e combustíveis por dia, principalmente para a Ásia. O oleoduto que atravessa o nordeste do Egito e o Canal de Suez são alternativas para o transporte do petróleo e combustíveis sauditas, mas não são tão atraentes quanto as outras duas opções, pois seria mais demorado e caro de escoar a produção, sobretudo para o continente asiático — incluindo por razões de limitações de capacidade nas duas rotas. (Com AFP e NYT
Arábia Saudita confirma incêndio em petroleiro no Mar Vermelho após ataques reivindicados por rebeldes houthis
Ações ofensivas elevam as pressões sobre o Oriente Médio, onde o conflito entre EUA e Irã se intensifica com novos ataques confirmados entre a noite e a madrugada













