A Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU) reuniu-se em Salvador (BA), entre os dias 17 e 19 de julho, e deu um passo incomum entre denominações históricas ao tratar da presença de pessoas homoafetivas em suas comunidades. A decisão não fixa uma única posição doutrinária, mas reconhece que igrejas locais podem receber fiéis LGBTQIAPN+ como membros e, observados critérios vocacionais, também para funções pastorais.
Em 2023, a assembleia geral criou uma Comissão Especial para Assuntos de Gênero, com representantes de todos os presbitérios, equilíbrio de gênero, presença de pessoas LGBTQIAPN+ e de pastores que já celebravam casamentos homoafetivos. Ao longo de três anos, o grupo realizou reuniões internas, escutou representantes das comunidades locais, promoveu um seminário aberto e estudou os documentos oficiais da igreja.
Dessa escuta emergiu um diagnóstico: há uma diversidade real de opiniões sobre homoafetividade dentro da IPU, variando de leituras conservadoras a perspectivas inclusivas. Ao mesmo tempo, todas as vozes manifestaram preocupação em evitar que o tema se tornasse motivo de novas rupturas e cismas.
Para quem não está familiarizado com o mapa religioso brasileiro, vale dizer que a IPU é uma pequena denominação presbiteriana de tradição reformada, organizada em 1978 como federação de igrejas locais, com forte ênfase na autonomia comunitária e em compromissos sociais. Nasceu de expurgos feitos pela Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) de pastores engajados com pautas de justiça e democracia. O educador Rubem Alves esteve entre os fundadores da IPU.






