A IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil) encerrou no domingo (2) a reunião quadrienal do Supremo Concílio, seu órgão máximo de deliberações —funciona como um Congresso da igreja, com votos e espaço para fala.
Juntou em Manaus cerca de 1.500 representantes dos 404 presbitérios que a denominação tem no país e, ali, optou por fechar o cerco contra Carnaval e Legendários. Também manteve intactas interdições à atuação feminina no dia a dia eclesiástico e a qualquer sopro do que considera marxismo.
Decisões que se alastram como rastilho de pólvora em círculos evangélicos e que podem, para um olhar destreinado, passar a impressão de que a turma conservadora levou de goleada. Tentar enquadrar as disputas do presbiterianismo no binômio de esquerda versus direita, contudo, é um reducionismo que empobrece a leitura do que realmente acontece lá dentro.
A malha de divergências que corta a IPB é bem mais sinuosa do que a polarização política no meio secular. E talvez mais reveladora do que qualquer veto doutrinário tenha sido a aprovação de uma resolução contra a "maledicência digital", sintoma de como a cúpula da igreja anda alarmada com a perda de controle sobre sua própria imagem.
Votou-se por tipificar como infração disciplinar o uso de redes sociais para ridicularizar a igreja ou expor conflitos internos. O "exercício da crítica teológica" não é "salvo-conduto para proferir ataques à honra" de ministros e concílios, tampouco é de bom tom cristão recorrer a "escárnio público" nessas horas, diz o texto. Há sanções previstas para quem levar "supostos erros de lideranças ao ‘tribunal da internet’".








