Há quem diga que viajar já não é mais uma aventura. Se por um lado a massificação do turismo deixou tudo meio previsível para o viajante, este por sua vez também prefere a certeza de que tudo será como ele imaginou. Sobra, ao final, muito pouco espaço para o incerto e o diferente —justamente o que dá ares de aventura às andanças.
De certa forma, as experiências de turismo de base comunitária (ou etnoturismo, no caso de comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas) pretendem ir na contramão disso ao se basear em modos de vida, hábitos e tradições que têm um valor em si.
É um turismo que tem crescido no Brasil, inclusive com destaque nas ações de promoção do país no exterior, na esteira da demanda dos viajantes por experiências tidas como mais significativas e responsáveis.
A reportagem visitou a Terra Indígena Haliti Paresi, no norte de Mato Grosso, que desde a pandemia vem se organizando para receber turistas de maneira regulamentada —a visitação precisa constar no plano de gestão do território e ter anuência da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), por exemplo. Os primeiros grupos estão chegando agora.
Para recebê-los, a aldeia Katyalarekwa (uma das cinco abertas à visitação no território) passou por algumas adaptações. A Vivalá, agência especializada em turismo sustentável, ajudou a comunidade a desenhar uma experiência que buscasse conciliar anfitriões e visitantes. Uma das hatis, as habitações tradicionais do povo paresi, recebeu barracas com colchão inflável, lençol, travesseiro, manta e saco de dormir —o lugar é uma chapada, e à noite faz frio.













