Para Paulo Afonso Lustosa, presidente da Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas & Logística (Fenatac), a medida dos EUA, que entrou em vigor nesta quarta, tem mais caráter político do que econômico. Ele também avaliou que, se o Brasil responder na mesma moeda, a "situação pode piorar". Lustosa participou nesta quarta-feira de uma reunião com integrantes da gestão Lula, como o vice-presidente Geraldo Alckmin. O governo tem ouvido setores afetados para elaborar medidas de reação ao tarifaço de Donald Trump. Em entrevista após o encontro com Alckmin, o presidente da Fenatac disse que, para ele, a melhor saída para o Brasil é buscar a negociação diplomática e comercial, evitando medidas espelhadas de reciprocidade. "O setor de transporte é uma atividade meio, uma ligação entre o setor industrial, que produz, e quem consome. Então na medida que a carga reduz, o nosso setor sofre", afirmou Lustosa. Questionado sobre a possibilidade de o Brasil adotar medidas de retaliação e aplicar tarifas recíprocas contra produtos norte-americanos, o presidente da Fenatac alertou para os riscos de uma escalada na crise comercial. Segundo ele, agir da mesma forma que os EUA pode agravar o conflito e piorar ainda mais a situação das empresas brasileiras. Em vez de uma resposta retaliatória, Lustosa defende um canal permanente de diálogo entre o governo federal e o setor produtivo nacional para buscar uma solução negociada. Embora o setor ainda não conte com números consolidados sobre o prejuízo financeiro ou o volume total de redução no fluxo de fretes, o presidente da entidade destacou que os efeitos práticos da medida serão sentidos de forma imediata na cadeia logística. Operação de transporte de cargas em porto — Foto: Bruno Leão/ Sedecti
Tarifaço dos EUA: setor de carga vê riscos com adoção da reciprocidade | G1
O tarifaço dos EUA preocupa a Fenatac, que sugere diálogo diplomático em vez de retaliação para evitar prejuízos na logística e na atividade industrial brasileira.











