Presidente ucraniano substitui Oleksandr Syrskyi por Mykhailo Drapatyi dias após troca no comando da Defesa, em meio a disputas internas sobre os rumos da guerra 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky — Foto: Serviço de Imprensa da Presidência da Ucrânia/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/07/2026 - 18:23 Zelensky Substitui Comandante das Forças Armadas em Meio a Disputas Internas O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, demitiu o comandante das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi, substituindo-o por Mykhailo Drapatyi, após a recente exoneração do ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov. As mudanças refletem disputas internas sobre a condução da guerra contra a Rússia. Syrskyi, criticado por seu estilo soviético, enfrentou divergências com Fedorov, que buscava modernizar as Forças Armadas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, anunciou nesta terça-feira (21) a demissão de Oleksandr Syrskyi do cargo de comandante-chefe das Forças Armadas e nomeou o comandante das Forças Conjuntas, Mykhailo Drapatyi, para assumir o posto. A mudança ocorre uma semana após a controversa exoneração do então ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, e amplia a reformulação da cúpula militar do país em meio à guerra contra a Rússia. Em publicação no Telegram, Zelensky agradeceu o trabalho de Syrskyi e confirmou a escolha do sucessor. — Decidi que o novo comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia será Mykhailo Drapatyi. Sou grato a Oleksandr Syrskyi e a cada um de nossos combatentes pelas sólidas posições da Ucrânia na linha de frente — escreveu o presidente. Syrskyi, de 60 anos, ocupava o cargo desde 2024 e ganhou destaque internacional por comandar a defesa de Kiev nos primeiros meses da invasão russa, em 2022. Nascido na Rússia e formado em uma academia militar de Moscou, ele nunca conseguiu se desvincular da imagem de um comandante de perfil soviético. Críticos o acusavam de dar pouca importância às baixas entre os soldados, o que lhe rendeu o apelido de "açougueiro". A demissão acontece após dias de manifestações em apoio a Fedorov, destituído do Ministério da Defesa em 14 de julho. O ex-ministro afirmou que Syrskyi atuou para provocar sua saída e dificultou as reformas que tentava implementar nas Forças Armadas. O então ministro da Defesa da Ucrânia em fim de mandato, Mykhailo Fedorov, fala durante uma coletiva de imprensa após o anúncio de sua renúncia, em Kiev, em 16 de julho de 2026, em meio à invasão russa da Ucrânia — Foto: ROMAN PILIPEY / AFP A exoneração de Fedorov provocou surpresa entre aliados europeus da Ucrânia. Aos 35 anos, ele era visto como um dos principais responsáveis pela modernização da estrutura militar, com iniciativas para tornar as compras de equipamentos mais transparentes, reduzir riscos de corrupção e enfrentar os problemas de recrutamento e treinamento das tropas. Medidas que fizeram com que a Ucrânia conseguisse ganhar força na longa guerra contra a Rússia e equilibrar o conflito. Ex-ministro da Transformação Digital e aliado próximo de Zelensky, Fedorov também foi apontado como um dos arquitetos do programa de drones da Ucrânia, considerado um dos principais trunfos do país na guerra. Entre suas realizações, recebeu crédito por convencer o empresário Elon Musk a bloquear acessos não autorizados da Rússia ao sistema Starlink no campo de batalha, medida considerada estratégica por militares ucranianos. Nos bastidores, a convivência entre Fedorov e Syrskyi era marcada por divergências sobre a condução da guerra. Enquanto o ministro defendia uma estratégia baseada em tecnologia, análise de dados e inovação, o comandante-chefe era associado a uma abordagem mais tradicional, focada em guerras de desgaste. Segundo o jornal The Guardian, o ministro chegou a pedir a substituição de Syrskyi, mas Zelensky optou inicialmente por mantê-lo no comando do Exército. Com a saída dos dois principais protagonistas desse conflito interno em pouco mais de uma semana, Zelensky promove uma ampla reestruturação na liderança militar ucraniana em um momento decisivo da guerra contra a Rússia.