Ucrânia vive a maior reformulação da cúpula militar desde o início da guerra com a Rússia O major-general Mykhailo Drapatyi participa de uma reunião com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, em meio ao ataque da Rússia à Ucrânia, em Kiev, Ucrânia, em 20 de julho de 2026 — Foto: Serviço de Imprensa da Presidência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS O presidente Volodymyr Zelensky nomeou nesta terça-feira o jovem major-general Mykhailo Drapatyi como comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia, após dias de protestos de rua, na maior reformulação da cúpula militar do país desde o início da guerra com a Rússia. Zelensky substituiu Oleksandr Syrskyi, de 60 anos, por Drapatyi, de 43, um comandante respeitado e experiente que liderou as forças terrestres do país entre 2024 e 2025 e é descrito como um general de uma nova geração. Na semana passada, uma reforma no governo de Zelensky e a demissão do ministro da Defesa Mykhailo Fedorov, de 35 anos, um reformista com perfil tecnológico, apenas seis meses após assumir o cargo, geraram preocupações entre analistas de que o recente avanço da Ucrânia no campo de batalha pudesse ser perdido. A Ucrânia vem tentando obter vantagem na guerra por meio de ataques intensos contra o setor de energia da Rússia, principal fonte de receitas do orçamento russo, e contra sua logística. “As operações das Forças de Defesa da Ucrânia estão em andamento e devem continuar de forma constante. O plano da Ucrânia para sanções de longo alcance e nosso programa de ataques de médio alcance serão executados com absoluta precisão”, disse Zelensky ao apresentar Drapatyi. A inesperada reforma ministerial da semana passada provocou uma crise política que expôs fragilidades na governança interna da Ucrânia, em meio à ausência de eleições durante a guerra. Drapatyi é visto como voz da mudança A nomeação de Drapatyi ocorre após dias de protestos desencadeados por mudanças no governo que, segundo críticos, foram mal explicadas, e reflete a posição de ucranianos que consideram o uso de tecnologia fundamental para vencer a guerra. Sua carreira foi moldada por mais de uma década de combate contra tropas russas. Syrskyi desempenhou papel importante na defesa de Kiev nos primeiros dias da guerra e ocupava o cargo desde o início de 2024. Ele também enfrentou duras críticas por um estilo rígido de comando que, segundo alguns militares, resultou em perdas de tropas injustificadamente elevadas. Críticas contra ele surgiram periodicamente, mas a reforma da semana passada trouxe à tona as profundas divisões na liderança da defesa ucraniana. Críticos acusaram Zelensky de favorecer Syrskyi em detrimento de Fedorov em um conflito entre os dois, e analistas questionaram se a Ucrânia conseguiria vencer a guerra, agora já em seu quinto ano, sob o comando de Syrskyi. “Trabalharei com responsabilidade, total concentração e respeito pelas pessoas que hoje defendem nosso país”, escreveu Drapatyi no Facebook. Fedorov, cujo retorno ao cargo era uma das principais reivindicações dos manifestantes, saudou a nomeação. “Este é um sopro de ar fresco e uma nova fonte de esperança na luta de pessoas livres pela liberdade e pela justiça. É a voz da mudança que já não podia mais ser ignorada”, escreveu Fedorov no X. Dmytro Koziatynskyi, veterano de guerra e um dos organizadores dos protestos, afirmou no X que a nomeação de Drapatyi foi um “presente”, ao comemorar seu aniversário no mesmo dia em que a decisão foi anunciada. O futuro de Fedorov continuava incerto. Zelensky disse nesta terça-feira que lhe ofereceu um “cargo digno” para supervisionar a área tecnológica do Estado, mas o ex-ministro já afirmou que deseja apenas retornar ao antigo posto. Na semana passada, Zelensky escolheu Yevhenii Khmara, então chefe interino do serviço de segurança interna da Ucrânia, para assumir como ministro interino da Defesa. “Todos queremos a mesma coisa: derrotar o inimigo e criar as condições, na linha de frente e por meio da pressão sobre a Rússia, que nos permitam forçar a Rússia à paz”, acrescentou Zelensky.