Presidente nomeia Mykhailo Drapatyi para substituir Oleksandr Syrskyi após manifestações provocadas pela saída do ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, e por divergências sobre a condução da guerra contra a Rússia 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky (à esquerda), e o então comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia, Oleksandr Syrsky (à direita), conversam ao lado do primeiro lote de mísseis-drone de fabricação ucraniana 'Peklo' (Inferno), entregue às Forças de Defesa da Ucrânia em Kiev, em 6 de dezembro de 2024, em meio à invasão russa da Ucrânia — Foto: GENYA SAVILOV / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/07/2026 - 19:20 Zelensky Demite Chefe Militar em Meio a Protestos e Divisões Internas O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, demitiu Oleksandr Syrskyi, chefe das Forças Armadas, em meio a protestos pela saída do ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov. A decisão reflete divisões internas sobre a condução da guerra contra a Rússia. Demonstradores defendem a visão inovadora de Fedorov, que prioriza drones e tecnologia. Zelensky nomeou Mykhailo Drapatyi como novo comandante, buscando restaurar a unidade nacional. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, destituiu nesta terça-feira o comandante-chefe das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi, em meio a uma onda de protestos provocada pela demissão do ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, na semana passada e a preocupações cada vez maiores de que a unidade nacional que ajudou a Ucrânia a resistir a quase cinco anos de guerra estivesse ameaçada por divisões internas. Para substituí-lo, o presidente nomeou o comandante das Forças Conjuntas, Mykhailo Drapatyi, um dos militares mais populares do país. A mudança representa uma reviravolta para Zelensky, que poucos dias antes havia apoiado Syrskyi e optado por demitir Fedorov após divergências sobre a condução da guerra. Ao anunciar a troca de comando, o presidente agradeceu ao general pela atuação à frente das tropas. "Decidi que o novo comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia será Mykhailo Drapatyi. Sou grato a Oleksandr Syrskyi e a cada um de nossos combatentes pelas sólidas posições da Ucrânia na linha de frente", escreveu Zelensky no Telegram. Milhares de pessoas participaram de manifestações em diversas cidades para pressionar Zelensky a mudar de posição e reafirmar a visão de Fedorov para a guerra, baseada no uso crescente de drones e sistemas robóticos. Ao defender uma transformação das Forças Armadas apoiada em inovação tecnológica, Fedorov, de 35 anos, tornou-se um símbolo de esperança para muitos ucranianos, especialmente entre os mais jovens. O ministro da Defesa da Ucrânia em fim de mandato, Mykhailo Fedorov, fala durante uma coletiva de imprensa após o anúncio de sua renúncia, em Kiev, em 16 de julho de 2026, em meio à invasão russa da Ucrânia — Foto: ROMAN PILIPEY / AFP A demissão de Fedorov, após apenas seis meses no cargo, ocorreu em um momento em que a Ucrânia parecia ter recuperado a iniciativa no conflito, em grande parte graças ao uso cada vez mais eficaz de drones de médio e longo alcance para atacar alvos na Rússia e na Crimeia. Zelensky afirmou que foi obrigado a escolher entre os dois homens porque as divergências entre seus grupos haviam se tornado irreconciliáveis. Com o crescimento dos protestos, ficou claro que a disputa ultrapassava um simples choque de personalidades. Para muitos ucranianos, Fedorov passou a representar um caminho moderno e baseado em tecnologia rumo à vitória, capaz de poupar vidas, enquanto Syrskyi se tornou símbolo dos aspectos mais duros e desgastantes de uma guerra marcada pelo atrito contínuo. Divisões internas Embora o general Syrskyi, de 60 anos, tenha sido elogiado por seu papel na defesa de Kiev e na contraofensiva na região de Kharkiv em setembro de 2022, sua gestão à frente das Forças Armadas, iniciada em fevereiro de 2024, passou a ser alvo de questionamentos. Como muitos comandantes ucranianos de alta patente, Syrskyi foi formado no sistema militar soviético, no qual a lealdade pessoal frequentemente era mais valorizada do que a inovação tática. Críticos o descreviam como rígido e desconectado da realidade do campo de batalha, e ele nunca conquistou ampla popularidade entre a população. Durante a longa e sangrenta batalha de Bakhmut, em 2023, recebeu o apelido de "Açougueiro" devido à percepção de que aceitava elevados níveis de baixas em troca de ganhos táticos limitados. O general sempre contestou essa narrativa, afirmando que preservar a vida dos soldados era sua prioridade. As críticas a Syrskyi explodiram quase imediatamente após a demissão de Fedorov. Veteranos, analistas e militares da ativa acusaram o comandante de bloquear iniciativas voltadas à adaptação das Forças Armadas a um campo de batalha em rápida transformação. Manifestantes foram às ruas com cartazes que traziam mensagens como: "Fedorov é inovação, velhos generais são decadência". Manifestantes seguram cartazes durante uma manifestação contra a decisão do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, de demitir o ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, em Kiev, em 16 de julho de 2026, em meio à invasão russa da Ucrânia — Foto: TETIANA DZHAFAROVA / AFP Fedorov afirmou que o establishment militar resistia às reformas de aquisição de equipamentos que ele defendia para ampliar a concorrência e romper vínculos informais entre o Estado-Maior e fabricantes de armas com influência política. Ele também acusou Syrskyi de atuar nos bastidores para preservar seu próprio poder e declarou que, em vez de derrotar a Rússia, o general havia "descoberto como dividir o país". A situação atingiu um ponto crítico quando divergências dentro das Forças Armadas vieram a público. Na ocasião, o general Mykhailo Drapatyi, então comandante das Forças Conjuntas e agora escolhido por Zelensky para chefiar as Forças Armadas, divulgou uma rara manifestação pública em apoio a Fedorov. "O silêncio não protege o Exército; apenas permite que os erros se acumulem", escreveu. Já o coronel Pavlo Yelizarov, vice-comandante da Força Aérea, apresentou sua renúncia, classificando a saída de Fedorov como "um grande golpe para a defesa do país". Diante da crise, Zelensky se reuniu com comandantes de brigadas para ouvir suas preocupações. Ao mesmo tempo, seu gabinete buscou acalmar tanto a população quanto os aliados internacionais da Ucrânia. — A situação está sendo resolvida de maneira profissional, construtiva e no interesse do nosso Estado. Peço a todos que mantenham a calma — afirmou Kyrylo Budanov, ex-chefe da inteligência militar e atual chefe do gabinete presidencial. — O inimigo acompanha atentamente cada uma de nossas divergências internas e espera que comecemos a lutar entre nós. Aos nossos inimigos, digo diretamente: vocês não viverão para ver isso. Zelensky passou vários dias reunido com líderes militares de diferentes níveis hierárquicos e tentou reaproximar Fedorov do governo. Após um encontro com o presidente, o ex-ministro afirmou que havia iniciado um diálogo construtivo para abordar suas preocupações. — Certamente haverá mudanças — declarou. Como a maioria dos ucranianos aceita que não podem ocorrer eleições enquanto a guerra continuar, as manifestações de rua passaram a funcionar como uma válvula de escape para a insatisfação popular e um mecanismo de controle sobre o poder político. No ano passado, dezenas de milhares de pessoas protestaram em todo o país após uma tentativa de Zelensky de enfraquecer as agências anticorrupção. O governo recuou rapidamente diante da pressão popular. Os protestos desencadeados pela saída de Fedorov revelaram tensões que vinham se acumulando há muito tempo dentro das Forças Armadas. Soldados alertaram que essas disputas internas representam um risco grave, pois podem comprometer a coesão no combate e agravar a crise de efetivos ao estimular deserções de militares desiludidos. Syrskyi permaneceu em grande parte em silêncio durante a controvérsia, limitando-se a publicar vídeos de encontros com comandantes na linha de frente. Na segunda-feira, porém, divulgou um artigo no portal especializado Militarnyi para responder ao que chamou de uma "mitologia sobre conflitos" e defender sua gestão. O general afirmou ter ficado surpreso ao saber da existência de qualquer conflito com Fedorov e pediu desculpas caso alguém tenha se sentido ofendido. "A Ucrânia é maior que Fedorov, Syrskyi e qualquer um de nós. A Ucrânia permanecerá de pé não porque tenha pessoas insubstituíveis, mas porque possui um Exército, instituições e milhões de cidadãos que cumprem seu dever. Reduzir esta guerra a um confronto entre duas pessoas é o maior favor que podemos fazer ao inimigo", escreveu. No fim, Zelensky concluiu que a remoção do general era a única forma de restaurar a unidade nacional. (Com New York Times e AFP)
Zelensky demite chefe das Forças Armadas da Ucrânia em meio a onda de protestos e a divisões no Exército
Presidente nomeia Mykhailo Drapatyi para substituir Oleksandr Syrskyi após manifestações provocadas pela saída do ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, e por divergências sobre a condução da guerra contra a Rússia











