PUBLICIDADE Mykhailo Fedorov também rejeitou cargo oferecido por Volodymyr Zelensky; demissão, na semana passada, foi recebida com protestos nas ruas e críticas ao presidente 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ex-ministro da Defesa da Ucrânua, Mykhailo Fedorov — Foto: Roman PILIPEY / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/07/2026 - 17:25 Demissão de ex-ministro Fedorov gera protestos contra Zelensky na Ucrânia A demissão de Mykhailo Fedorov, ex-ministro da Defesa da Ucrânia, gerou protestos e críticas ao presidente Volodymyr Zelensky. Fedorov, que rejeitou outros cargos oferecidos, insiste em retornar apenas como Ministro da Defesa. A demissão ocorre em meio a uma reforma de gabinete e denúncias de corrupção nas Forças Armadas. Zelensky busca fortalecer seu controle e responder ao impacto da guerra, mas enfrenta pressão popular para trazer Fedorov de volta. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma semana depois de ser demitido, o ex-ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, afirmou que só voltará ao governo de Volodymyr Zelensky se for para ocupar o mesmo cargo. Mais cedo, o presidente havia oferecido a ele vários postos, incluindo o de vice-primeiro-ministro para inovações militares, todos rejeitados. O impasse ocorre em meio a protestos contra Zelensky e suas mudanças nos altos escalões militares. “Sou grato ao presidente por todas as opções oferecidas. No entanto, hoje existem apenas três cargos no país que, ao lado das tropas no campo de batalha, realmente moldam o curso da guerra: o presidente da Ucrânia, o ministro da Defesa e o comandante-em-chefe das Forças Armadas da Ucrânia”, escreveu Fedorov, em texto compartilhado com jornalistas. “É por isso que não aceitarei nenhum cargo além do de Ministro da Defesa.” Na semana passada, logo após a saída da primeira-ministra Yulia Svyrydenko, como parte de uma mudança de Gabinete, Zelensky surpreendeu ao anunciar a demissão de Fedorov, que estava no cargo desde janeiro e era bem avaliado no país. Em seu período à frente do Ministério da Defesa, a Ucrânia ampliou o uso de drones de ataque, com ações cada vez mais ousadas e destrutivas em território russo, que parecem dar um novo norte à guerra iniciada em 2022. Na longa prestação de contas feita no Telegram no dia de sua saída, afirmou que os sucessos vieram apesar de “assumir um Ministério da Defesa sem orçamento” adequado. Até então, ele era um dos mais populares ministros do governo, e sua saída foi recebida com protestos. — Nos últimos seis meses, ele apresentou resultados que contaram com o apoio dos soldados — disse uma manifestante, Tatiana Bohdanovska, que perdeu o irmão em Kharkiv, ao jornal Kyiv Post. — Ele começou a mudar um sistema muito antigo e muito corrupto. Talvez alguém no governo não esteja preparado para essas mudanças. Mas nós estamos. e é por isso que estamos aqui. Manifestantes durante protesto contra a demissão do ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov — Foto: Tetiana DZHAFAROVA / AFP As manifestações produziram ao menos um resultado: a demissão do impopular comandante das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi, cujos atritos com Fedorov levaram à saída do ex-ministro. Contudo, Zelensky se recusa a abrir as portas para o retorno de Fedorov à Defesa, e nesta quinta-feira ofereceu a ele uma série de opções para permanecer no governo, incluindo o recém-criado vice-primeiro-ministro para inovações militares, sem sucesso. “Nenhuma outra função traz a autoridade real para combater a corrupção nas aquisições, concluir a transformação do Exército, planejar e executar operações assimétricas contra o inimigo, erradicar uma cultura de mentiras e falta de responsabilização dentro do sistema ou finalizar as iniciativas que nossa equipe já iniciou no Ministério da Defesa”, disse Fedorov, em seu comunicado, reiterando que o Ministério da Defesa é sua única opção. Iniciada na semana passada, a reforma de Zelensky tem, segundo analistas, o objetivo de fortalecer o controle do presidente sobre o governo, de superar casos de corrupção — que levaram à saída de seu homem forte, o ex-chefe de Gabinete, Andriy Yermak — e de preparar o país para os impactos da guerra nos meses de inverno. Alguns também enxergam nas mudanças a preparação do terreno para eventuais eleições, nas quais Zelensky deve ser candidato e hoje é o favorito para a reeleição. Militares ucranianos em patrulha na cidade de Drujivka, na região ucraniana de Donetsk — Foto: Divulgação / Serviço de Imprensa da 93ª Brigada Mecanizada Independente Kholodnyi Yar / AFP Em paralelo, escândalos dentro das Forças Armadas, ligados a denúncias de tortura e abuso de recrutas, impuseram seu custo político ao presidente. Mas a resposta inicial, ao menos no caso de Fedorov, provocou mais uma crise em tempos de guerra. — Parece que estão tentando remover o comandante-em-chefe apenas para acalmar os protestos — disse ao jornal Kyiv Independent uma fonte próxima ao governo, sob condição de anonimato. — Mas parece que as pessoas nas ruas buscam uma explicação clara para todas essas decisões. Nesta sexta-feira, ocorrerá um novo protesto em Kiev, um ato que servirá como termômetro das ações de Zelensky, ou do tamanho do estrago causado pela demissão de Fedorov. “Bom, pessoal, preparem-se para sexta-feira — ainda temos que trazer Fedorov de volta”, escreveu Dmytro Koziatynskyi, veterano da guerra e organizador dos protestos, na rede social X.