Segurança é uma das palavras mais valorizadas pelos investidores. Talvez por isso, sempre que alguém pergunta qual título público deveria comprar, a resposta costuma ser quase automática: "Tesouro IPCA". O raciocínio parece irrefutável. Se a inflação subir, o dinheiro continua protegido. Afinal, quem não gostaria de garantir um rendimento acima da inflação?

O problema é que toda proteção tem um preço. E pouca gente sabe quanto está pagando por ela.

Imagine duas pessoas contratando um seguro para o mesmo carro. Uma aceita pagar um prêmio elevado porque acredita que o risco de acidente é grande. A outra prefere economizar porque considera esse risco baixo. Nenhuma delas conhece o futuro. Apenas atribuem probabilidades diferentes ao mesmo evento.

Com os títulos públicos acontece exatamente a mesma coisa.

Quem compra um Tesouro Prefixado faz uma aposta: acredita que a inflação ficará relativamente comportada. Quem compra um Tesouro IPCA faz outra: prefere pagar para se proteger caso a inflação surpreenda para cima. A pergunta não é qual dos dois está certo. A pergunta correta é: quanto custa essa proteção?