Imagine que você tenha de escolher hoje entre duas aplicações para os próximos 20 anos. A primeira rende IPCA mais 7% ao ano. A segunda paga CPI, a inflação americana, mais 3% ao ano, em dólares. Qual delas você escolheria?

À primeira vista, a segunda alternativa tem uma vantagem que parece poderosa: além dos juros e da inflação americana, o investidor brasileiro ainda ganha com uma eventual valorização do dólar. Soma-se isso o fato de esse juro real americano atual ser o maior dos últimos 20 anos. Entretanto, a decisão não é tão simples como comparar 7% com 3% ao ano.

Parte da valorização esperada do dólar pode simplesmente compensar a diferença entre as inflações dos dois países. Se os preços subirem 4% ao ano no Brasil e 2% nos Estados Unidos, por exemplo, seria razoável esperar que, no longo prazo, parte dessa diferença aparecesse na desvalorização do real.

Essa é a lógica da paridade do poder de compra. Embora essa paridade esteja longe de funcionar perfeitamente, principalmente em períodos curtos, ela oferece uma referência útil para uma comparação de 20 anos.

Se o câmbio apenas compensasse a diferença entre IPCA e CPI, a disputa entre nossos dois investimentos voltaria essencialmente ao ponto de partida: 7% de juro real no Brasil contra 3% nos Estados Unidos.