Imagine dois investidores emprestando dinheiro para o mesmo devedor. Um deles ganhou quase 15% nos últimos 12 meses. O outro perdeu mais de 5%. Parece impossível. Afinal, ambos emprestaram dinheiro para o governo federal, considerado o emissor de menor risco do país. Mas foi exatamente isso que aconteceu com investidores do Tesouro Direto.

Os dados até esta segunda-feira (08/06) mostram que os títulos Tesouro Selic acumulam valorização próxima de 15% nos últimos 12 meses, e de 6% em 2026. Nenhum outro título disponível na plataforma conseguiu superá-los neste dois períodos. Na outra ponta da tabela aparece o Tesouro Renda+ Aposentadoria Extra 2084, com perda de 5,42% nos últimos 12 meses e queda de 8,23% neste ano. A diferença entre os dois supera 20 pontos percentuais.

O contraste chama atenção porque 2026 deveria ser o ano da virada para os títulos de longo prazo.

Durante boa parte de 2024 e 2025, muitos investidores apostaram que a próxima grande oportunidade estaria nos títulos indexados à inflação. A lógica parecia simples. Se os juros caíssem, os preços desses papéis subiriam, gerando ganhos expressivos para quem tivesse comprado antecipadamente.

A aposta não surgiu do nada. Entre 2016 e 2019, os investidores que compraram títulos longos viveram um dos períodos mais favoráveis da história recente da renda fixa brasileira. Com a forte queda da Selic, algumas NTN-Bs acumularam valorizações superiores a 80% em poucos anos. A lembrança desse período permanece viva na memória de muitos investidores e ajuda a explicar o interesse atual pelos títulos IPCA+ de vencimentos mais longos.