Conheci dois investidores que possuíam uma concentração exatamente no mesmo título público indexado à inflação, com vencimento em 2045. Ao analisar suas carteiras, alguém poderia concluir que ambos deveriam tomar a mesma decisão. Afinal, o investimento era exatamente o mesmo. Na realidade, um deles deveria mantê-lo até o vencimento. O outro deveria vendê-lo imediatamente. Como isso é possível?

A resposta revela um dos erros mais comuns na forma como avaliamos investimentos: costumamos julgar a carteira sem conhecer a decisão que a construiu.

Depois de alguns anos investindo, muitos olham para o patrimônio acumulado e começam a desconfiar das próprias escolhas. Será que essa carteira faz sentido? Será que assumi riscos desnecessários? Será que fui levado a comprar produtos inadequados? Será que vale a pena contratar um consultor apenas para fazer uma análise pontual da carteira?

Essa busca por uma segunda opinião pontual é perfeitamente compreensível. Um profissional experiente poderia identificar concentrações excessivas, custos elevados, riscos pouco percebidos ou investimentos que perderam a razão de existir. Em muitos casos, a análise traz tranquilidade.

Mas existe uma diferença importante entre reduzir a ansiedade e reduzir o risco e estar alinhado aos objetivos.