Quase tudo o que produz bons resultados no longo prazo cobra algum desconforto no curto prazo. Fazer atividade física exige esforço. Estudar significa abrir mão de parte do tempo livre. Poupar dinheiro significa adiar consumo. Nos investimentos, não é diferente. Uma carteira que nunca incomoda talvez também não esteja preparada para enfrentar cenários diferentes.

O maior erro é imaginar que uma carteira diversificada deveria entregar bons resultados em todos os investimentos ao mesmo tempo, e que uma carteira bem diversificada vai ser sempre melhor que o melhor indexador no momento.

Os ciclos de mercado fazem com que diferentes classes de ativos e indexadores assumam a liderança em momentos distintos. Há períodos em que o CDI se destaca. Em outros, os títulos indexados ao IPCA, os prefixados ou as ações brasileiras e internacionais assumem esse papel.

Na verdade, diversificar significa justamente combinar ativos que respondam de formas diferentes ao mesmo cenário econômico, mas que mantenham potencial de retorno de longo prazo. Quando um determinado ambiente favorece uma classe de ativos, é natural que outra atravesse um período mais difícil. Essa não é uma falha da diversificação, é a principal característica.