Todos os dias recebo mensagens com histórias estranhas. Coleciono todas. O que mais mandam é caso de cemitério, e o engraçado é que são coisas semelhantes acontecendo em lugares distintos do mundo.

A do portão, por exemplo. Uma senhora estava no cemitério, com um terço de madeira nas mãos, saindo de um enterro, nos passos lentos da tristeza de quem acabou de ver a morte. Ou sentir seu cheiro.

É isso que acontece quando alguém morre, esse encontro, a lembrança de que o dia final chegará para todos nós. A pena por quem foi, o medo de ir.

Talvez ela já estivesse tentando mudar o rumo dos pensamentos, abanando a mão como quem espanta moscas, quando outra senhora chegou perto dela e disse, quase sussurrando: quem passar primeiro por este portão depois de mim vai morrer em dois dias.

Foi o suficiente para uma confusão começar, no boca a boca do recado. Ela apanhou o terço caído no chão e foi avisando aos parentes e conhecidos, antes que fosse tarde. Cadê a mensageira que disse isso? Sumiu. Se sumiu, era visagem, o que deixa o comunicado com caráter oficial. Veio do além, e quem volta de lá sabe o que não sabemos, é bom respeitar.