Decisão judicial menciona amizade entre investigados e o coronel Pereira Martins, além de referências ao então comandante da Rota, José Augusto Coutinho, e a um terceiro oficial identificado como "Patrício" 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ministério Público do Estado de São Paulo — Foto: Divulgação / MPSP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/07/2026 - 08:50 Operação Janus: Laços entre PCC e oficiais da PM paulista revelados A investigação do Ministério Público de São Paulo, base da Operação Janus, revela laços próximos entre operadores financeiros do PCC e altos oficiais da PM paulista, incluindo o então comandante da Rota, José Augusto Coutinho. Documentos mencionam amizade com o coronel Pereira Martins e participação em grupos de WhatsApp, sugerindo relações além do profissional. Não há acusações formais aos coronéis. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A investigação que embasou a Operação Janus, realizada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) nesta terça-feira, aponta que operadores financeiros suspeitos de lavar dinheiro para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) mantinham relação próxima com integrantes da cúpula da Polícia Militar paulista, incluindo um então comandante da Rota. Segundo investigação, Cléber Azevedo dos Santos, Robson Martins de Souza e Amjad Ahmad, suspeitos de financiar a facção criminosa, "demonstraram possuir influência sobre policiais civis e militares". O documento cita especificamente a existência de elementos que indicariam proximidade com o coronel PM Pereira Martins, além de menções ao coronel José Augusto Coutinho, então comandante da Rota, e ao coronel identificado apenas como "Patrício". De acordo com a decisão, Santos e Souza mantinham uma relação de amizade com o coronel Pereira Martins, vínculo que teria permanecido mesmo após os dois serem alvos de operações policiais anteriores, como a Operação Fractal, realizada no fim de 2022. Os autos mencionam ainda a participação dos investigados e do oficial em um grupo de WhatsApp denominado "Aniversário general", ativo ao menos até novembro de 2023. Segundo a investigação, o grupo era utilizado para troca de mensagens de caráter pessoal e relacionadas a eventos sociais, o que, para os investigadores, evidenciaria uma relação que extrapolava contatos ocasionais. Ainda segundo a decisão judicial, há registros de que o coronel Pereira Martins teria se colocado à disposição para auxiliar os investigados e intermediar contatos com autoridades. O documento, no entanto, não detalha a natureza dessa ajuda nem atribui ao oficial participação direta nos crimes investigados. A investigação também cita o coronel José Augusto Coutinho, que comandava a Rota à época dos fatos mencionados, e um terceiro oficial identificado como "CEL PM Patrício", cujo nome aparece, segundo os investigadores, em uma planilha de clientes vinculada ao grupo. O documento registra ainda uma anotação referente a um pagamento em dinheiro de R$ 1 mil ao coronel "Patrício", valor que teria origem em uma prática conhecida pelos investigadores como "ticketagem", um método informal de lavagem de dinheiro. As menções aos oficiais aparecem no contexto de uma investigação mais ampla sobre um grupo acusado de atuar como uma espécie de "banco" do PCC, oferecendo serviços de lavagem de dinheiro, troca de numerário em espécie por transferências bancárias e blindagem patrimonial para integrantes da facção. Até o momento, a decisão judicial não aponta denúncia formal ou decretação de medidas cautelares contra os coronéis citados. O Globo pediu posicionamento da Secretaria de Segurança Pública, e aguarda retorno. A reportagem também tenta contato com a defesa dos investigados, o espaço segue aberto.