Foram cumpridos os três mandados de prisão temporária e outros dez de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso Operação prendeu suspeitos de atuarem como infiltrados de facção — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/06/2026 - 22:03 Operação em SP revela infiltrados do PCC em órgãos estatais Uma operação em São Paulo revelou infiltrações do PCC em estruturas estatais, resultando na prisão de um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um ex-estagiário do Ministério Público. Eles são suspeitos de planejar o assassinato de um promotor do Gaeco e participar de um esquema de extorsão. A investigação desmantelou redes de lavagem de dinheiro e acesso privilegiado a informações sigilosas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma operação deflagrada ontem expôs novos casos de infiltrações do Primeiro Comando da Capital (PCC) na estrutura do Estado, em São Paulo. Um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um ex-estagiário do Ministério Público de São Paulo (MPSP) foram presos sob suspeita de envolvimento num plano para matar um promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do MPSP, e num esquema de extorsão de investigados. Foram cumpridos os três mandados de prisão temporária e outros dez de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior paulista, incluindo uma ordem expedida contra um policial penal. Maurício Aparecido de Oliveira, o investigador-chefe que foi preso, trabalhava na Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas na época de duas operações deflagradas para apurar o plano de assassinato do promotor de justiça Amauri Silveira Filho e um esquema de lavagem de dinheiro associado a dois traficantes. Já Gabriel Lira de Jesus, ex-estagiário do MP-SP, que hoje é bacharel em Direito, atuava numa promotoria criminal em Campinas e receberia ajuda do ex-policial civil alvo de mandado de prisão. A operação de ontem foi um desdobramento de outras duas ações — a Operação Pronta Resposta, de 22 de agosto do ano passado, que apurou atuação de organização criminosa ligada ao PCC que estaria planejando matar o promotor de justiça do Gaeco Amauri Silveira Filho; e a Operação Off White, realizada em 30 de outubro, para desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro ligados a dois traficantes, incluindo Sérgio Luiz de Freitas. Mijão, como é conhecido, é apontado como integrante da sintonia final do PCC e figura na lista dos criminosos mais procurados do Brasil, elaborada pelo Ministério da Justiça. Encontro antes de ação As apurações do Gaeco revelaram que, uma semana antes da Operação Pronta Resposta, o empresário José Ricardo Ramos — responsável direto pela execução do plano para matar o promotor de justiça e preso na ação — se reuniu com o chefe dos investigadores da Dise de Campinas. Vídeos registraram o encontro antes da deflagração da ação que acabaria frustrando a investida. Ramos ocupava posição estratégica dentro da estrutura financeira da facção criminosa e era investigado por lavar dinheiro para o grupo. O teor do diálogo entre ele e Maurício Oliveira ainda é investigado pela Promotoria. O Gaeco apura quais informações teriam sido repassadas ao criminoso pelo investigador de polícia, e se a reunião tratou diretamente do plano para matar Amauri Silveira Filho. Outra hipótese é que o encontro tenha servido para dar continuidade a uma tentativa de extorsão, outro braço da investigação. Uma denúncia de extorsão feita ao Gaeco por um traficante ligado ao PCC, preso em agosto de 2025, deu origem a uma investigação paralela que revelou uma suposta rede de extorsão de Gabriel Lira de Jesus, então estagiário do MP-SP. O traficante relatou aos investigadores que havia recebido, dois dias antes da prisão, uma mensagem por WhatsApp exigindo o pagamento de R$ 500 mil para que não fosse preso e para que seu caso não fosse encaminhado ao Gaeco. Acesso privilegiado As investigações apontam que Gabriel Lira de Jesus enviou a mensagem ao traficante. Ele teria se infiltrado de propósito numa das promotorias de Justiça Criminal de Campinas, onde possuía acesso a inquéritos policiais, para fins criminosos. Segundo as apurações, o ex-estagiário acessava bancos de dados e sistemas de pesquisa para identificar criminosos do PCC de alto poder econômico e extorquir dinheiro deles como contrapartida por suposta proteção. Segundo o promotor de Justiça Marcos Tadeu Rioli, coordenador da investigação, o estagiário utilizou esse acesso para obter informações sobre o investigado e contou ainda com o apoio de agentes com acesso a sistemas restritos do Estado. Entre eles está um ex-policial civil alvo de mandado de prisão ontem, cujo nome não foi divulgado e que já havia sido expulso da corporação sob acusação de extorsão mediante sequestro. Segundo o Gaeco, ele também atuou como intermediador do encontro entre Maurício Oliveira e o empresário ligado ao PCC. Mensagens obtidas pelos investigadores mostram que ele participou da articulação da reunião. Um policial penal também forneceu consultas privilegiadas em bancos de dados oficiais, ainda segundo a apuração. Outros dados da apuração indicam que os atos de extorsão também se valeram do uso de internet de um escritório de advocacia, alvo de buscas ontem. A partir desses dados, os envolvidos teriam identificado que o investigado possuía elevado patrimônio e capacidade financeira. Conforme relatado pelo promotor, a própria mensagem enviada ao traficante continha trechos de relatórios policiais e informações sigilosas sobre a investigação em andamento. — Com base nesse acesso e contando com o apoio de policial penal e de policial civil fornecendo também acesso a sistemas de consulta privilegiada de órgãos do Estado, o estagiário obteve informações importantes a respeito do alvo — disse Rioli ontem.