Chefe de investigadores da Polícia Civil, ex-policial civil e ex-estagiário do MP-SP foram presos por suspeita de ajudarem facção PCC: vídeo mostra reunião entre chefe de investigadores da Polícia Civil de Campinas e acusado de planejar morte de promotor — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/06/2026 - 12:11 "Operação Infiltrados: Prisão de Investigador e Ex-Policiais ligados ao PCC" A Operação Infiltrados, desencadeada após mensagem de extorsão por WhatsApp, resultou na prisão de um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial e um ex-estagiário do MP-SP, suspeitos de ajudar o PCC. A mensagem pedia R$ 500 mil para evitar que um caso fosse encaminhado ao Gaeco. As investigações revelaram planos para matar um promotor e extorsão de investigados. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A investigação que levou à prisão um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um ex-estagiário do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), nesta terça-feira (9), teve origem em agosto de 2025, durante o cumprimento de mandados de busca e prisão contra um traficante ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o promotor de Justiça Marcos Tadeu Rioli, do MP-SP, o traficante afirmou que ele havia recebido, dois dias antes da prisão, uma mensagem exigindo o pagamento de R$ 500 mil para que seu caso não fosse encaminhado ao Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do MP-SP. A cobrança foi feita por WhatsApp, por meio de mensagens de visualização única. Embora o traficante tenha acabado preso, denunciado por tráfico de drogas e associação com o tráfico, a denúncia de extorsão levou o MP-SP a abrir uma investigação paralela para identificar quem havia tentado obter a vantagem financeira. As prisões desta manhã se baseiam na Operação Infiltrados, que aponta que os três suspeitos estariam envolvidos num plano para matar um promotor do Gaeco e num esquema de extorsão de investigados. Um vídeo obtido no âmbito da investigação do MP-SP mostra um encontro entre o então chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), da Polícia Civil de Campinas, com um investigado por participar de um plano para assassinar o promotor de justiça do Gaeco, Amauri Silveira Filho. As imagens foram reveladas pela Globonews e confirmadas pelo GLOBO. Chefe de investigadores da Polícia se reúne com acusado de planejar morte de promotor Um dos presos é um ex-estagiário do MP-SP que atuava em uma promotoria de Campinas. De acordo com o Gaeco, ele era bacharel em direito e não integrava a equipe do grupo especializado, nem tinha acesso direto às investigações da operação que resultou na prisão do traficante. Ainda assim, possuía acesso a inquéritos policiais em tramitação na promotoria onde trabalhava. Segundo os investigadores, o estagiário teria utilizado esse acesso, somado a informações obtidas por meio de sistemas restritos, para levantar dados sobre o alvo. Como mostrou a investigação, ele contou com a colaboração de um ex-policial penal, afastado da corporação por denúncia de extorsão, e de um policial civil que teriam fornecido consultas privilegiadas em bancos de dados oficiais. Com essas informações, o grupo identificou que o investigado possuía “elevado poder aquisitivo”. O promotor afirmou ainda que a mensagem enviada ao traficante continha inclusive trechos de relatórios policiais. A expectativa do Gaeco é concluir essa fase da apuração durante o período das prisões temporárias, inicialmente fixadas em cinco dias e passíveis de prorrogação por mais cinco. Para eles, a análise do material apreendido poderá revelar novos envolvidos. Operação Infiltrados A operação desta terça-feira é desdobramento de outras duas ações — a Operação Pronta Resposta, de 22 de agosto do ano passado, que apurou atuação de organização criminosa ligada ao PCC que estaria planejando matar o promotor de justiça do Gaeco Amauri Silveira Filho; e a Operação Off White, realizada em 30 de outubro, para desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro ligados a dois traficantes, incluindo Sérgio Luiz de Freitas. Mijão, como é conhecido, é apontado como integrante da sintonia final do PCC e figura na lista dos criminosos mais procurados do Brasil, elaborada pelo Ministério da Justiça. As apurações do Gaeco apontaram que, uma semana antes da Operação Pronta Resposta, o responsável direto pela execução do plano para matar o promotor se reuniu com o chefe dos investigadores da Dise de Campinas.