Alvo de operação nesta terça-feira se infiltrou na Promotoria Criminal de Campinas e acessou sistemas internos do Ministério Público para identificar integrantes da facção O Ministério Público de São Paulo — Foto: Divulgação / MP-SP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/06/2026 - 08:27 Ex-estagiário do MP-SP e cúmplices extorquem PCC em Campinas Um ex-estagiário do MP-SP infiltrou-se na Promotoria Criminal de Campinas para acessar sistemas internos e extorquir membros do PCC, visando aqueles com elevado poder econômico. A Operação Infiltrados revelou que ele, com apoio de um policial penal e um ex-policial civil, exigia dinheiro em troca de proteção. A operação desdobrou-se de ações contra planos de homicídio e lavagem de dinheiro ligados ao PCC. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um ex-estagiário do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), alvo de operação na manhã desta terça-feira (9), é suspeito de ter se infiltrado propositalmente na Promotoria Criminal de Campinas para obter acesso a sistemas internos e informações sigilosas. A investigação aponta que ele utilizava bancos de dados da instituição para identificar integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) que tinham "elevado poder econômico", segundo os investigadores. De acordo com o MP-SP, o ex-estagiário contava com o apoio de outros agentes públicos e teria usado as informações obtidas para extorquir criminosos, exigindo dinheiro em troca de suposta proteção contra investigações. Entre os suspeitos de participação no esquema estão um policial penal e um ex-policial civil que já havia sido expulso da corporação. A apuração também identificou indícios de que parte das extorsões foi praticada com o uso da internet de um escritório de advocacia. O caso é investigado no âmbito da Operação Infiltrados, deflagrada nesta terça-feira pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Nesta terça-feira, foi deflagrada a Operação Infiltrados, que cumpriu três mandados de prisão em Campinas (SP) e Cardoso (SP). Foram presos um chefe de investigação da Polícia Civil, um ex-policial civil e o ex-estagiário. Segundo as investigações, os três estariam envolvidos num plano para matar um promotor do Gaeco. Também foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão. A operação é desdobramento de outras duas ações — a Operação Pronta Resposta, de 22 de agosto, que apurou atuação de organização criminosa ligada ao PCC que estaria planejando matar o promotor de justiça do Gaeco Amauri Silveira Filho; e a Operação Off White, realizada em 30 de outubro, para desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro ligados a dois traficantes, incluindo Sérgio Luiz de Freitas. Mijão, como é conhecido, é apontado como integrante da sintonia final do PCC e figura na lista dos criminosos mais procurados do Brasil, elaborada pelo Ministério da Justiça. As apurações do Gaeco apontaram que, uma semana antes da Operação Pronta Resposta, o responsável direto pela execução do plano para matar o promotor se reuniu com o chefe dos investigadores da Dise de Campinas. Vídeos registraram o encontro antes da deflagração da ação que acabaria frustrando os planos do suposto atentado. O Gaeco investiga informações privilegiadas e sensíveis que teriam sido repassadas ao criminoso pelo investigador-chefe. Após as duas operações, o Gaeco também constatou que um membro da organização criminosa estava sendo vítima de extorsão de uma pessoa que tinha informações privilegiadas. Os investigadores descobriram que o responsável direto pela extorsão seria um então estagiário do próprio MP-SP. Meses antes, ele teria se infiltrado de propósito numa das promotorias de Justiça Criminal de Campinas para fins criminosos.