Entre os citados está o coronel José Augusto Coutinho, que comandou a Rota, o Comando de Policiamento de Choque e, depois, toda a Polícia Militar paulista. Ele deixou o comando-geral em abril de 2026 e pediu para ir para a reserva, enquanto a Corregedoria investigava a atuação de PMs na segurança privada de dirigentes da Transwolff, empresa de ônibus apontada pelo Ministério Público como ligada ao PCC. (Leia mais abaixo). Leia mais sobre a operação: Um áudio também fala na obtenção de R$ 100 mil para pagar policiais do Deic, sem os identificar. Os policiais citados não são alvos da operação, não foram denunciados e não são formalmente acusados no caso. As informações serão encaminhadas à Corregedoria da PM. Promotor que investiga o PCC alertou ex-chefe da PM Segundo o promotor, durante a Operação Sharks, em 2020, informações teriam chegado à cúpula do PCC antes do cumprimento dos mandados. Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, apontado à época como o principal integrante da facção em liberdade, conseguiu fugir. Gakiya também afirmou que uma reunião entre investigadores, policiais da Rota e um informante teria sido gravada e vendida por R$ 5 milhões a Tuta. O promotor declarou ter comunicado Coutinho sobre a suspeita de que os vazamentos haviam partido de policiais da unidade. Disse ainda o ter alertado de que integrantes da Rota faziam “bicos” para empresas de ônibus ligadas ao PCC. Segundo ofício do Ministério Público Militar, não foram encontradas informações de que o então comandante tenha adotado medidas investigativas ou disciplinares. Gakiya, que é do Grupo de Atuação especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, tem apurações que envolvem o PCC há mais de 20 anos e é considerado um dos principais investigadores da facção no Brasil. O coronel da PM José Augusto Coutinho, ex-comandante-geral da Polícia Militar do Estado de SP. — Foto: Divulgação/GESP/Secom Mencionado por PM Em fevereiro de 2026, três PMs haviam sido presos em um desdobramento da investigação sobre a Transwolff. Entre eles estava o sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário, que afirmou ter trabalhado na segurança privada da empresa entre 2020 e 2024. A Transwolff passou a ser investigada pelo Gaeco na Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024. Segundo os promotores, a empresa utilizava laranjas e empresas de fachada em um esquema de lavagem de dinheiro e favorecimento ao PCC. A companhia sempre negou vínculo com a facção. Delator do PCC Ainda em 2024, o empresário Antonio Vinicius Gritzbach, conhecido como “delator do PCC”, afirmou em acordo de colaboração premiada que policiais da Rota faziam a segurança de integrantes importantes da organização criminosa. Apesar de não citar o coronel Coutinho, as declarações reforçaram as suspeitas de que policiais da unidade mantinham relações com integrantes da facção. O que diz a defesa O g1 contatou a defesa do coronel José Augusto Coutinho, que, por meio de nota, disse que "até o momento, não obteve acesso aos autos do procedimento relacionado à operação deflagrada pelo GAECO na manhã de terça-feira". "Sem prejuízo da análise dos elementos da investigação, a defesa reafirma a integridade e a correção com que o Coronel Coutinho sempre exerceu suas funções e está certa de que, no curso do procedimento, será demonstrada a inexistência de qualquer envolvimento de sua parte nos fatos investigados", afirmou.