O COI (Comitê Olímpico Internacional) proibiu a participação de mulheres trans na categoria feminina a partir dos Jogos de 2028, e a Suprema Corte dos EUA autorizou os estados a fazerem o mesmo no esporte escolar e universitário. Ante os ventos políticos de estibordo, são decisões esperadas. A inadequação consiste em envernizá-las com ciência.

Quem defende o banimento de mulheres trans costuma evocar a ciência do esporte. De fato, atletas do sexo feminino apresentam, em média, desempenho 10% a 65% inferior ao masculino, conforme as demandas fisiológicas da modalidade. Esse achado reflete o dimorfismo sexual —diferenças biológicas entre os sexos, acentuadas pela exposição a níveis mais elevados de testosterona na puberdade masculina, com efeitos sobre a composição corporal, a função muscular e a capacidade cardiorrespiratória.

Mas o dimorfismo sexual não basta para inferir uma vantagem competitiva de mulheres trans. As terapias hormonais de afirmação de gênero utilizam estrógenos e bloqueadores androgênicos para promover a feminização. Seus efeitos incluem redução substancial da força, da massa muscular e da capacidade aeróbia, além do aumento da gordura corporal. Nesse contexto, a pergunta norteadora não é se o sexo afeta a força ou a velocidade, mas se há boas evidências de que mulheres trans, após terapia hormonal, mantêm desempenho superior ao de seus pares cis.