Com o fim do primeiro semestre, a indústria de caminhões constatou que os recursos do programa federal Move Brasil 2 atenuaram os efeitos da queda nas vendas. Contudo, a iniciativa não foi suficiente para reverter o cenário ruim do setor no país.

Agora, com o fim do incentivo, as fabricantes tentam seguir a vida em um segundo semestre que terá pela frente dois fatores relevantes para o setor: as eleições majoritárias e a Fenatran, maior evento do segmento de veículos pesados.

"Existe vida fora do Move Brasil", disse Gustavo Cecchetto, gerente de vendas da Scania. "O programa não apenas diminuiu as perdas, mas também nos aproximou do pequeno e do médio empresário, movimentou o varejo e ocupou a fábrica", completou o executivo. Conforme a montadora, metade das suas vendas realizadas no primeiro semestre ocorreram por meio do programa.

Embora os recursos tenham se esgotado para as empresas, o programa federal vai continuar reverberando nas operações das montadoras. Isso ocorre porque os registros dos veículos comprados durante a sua vigência seguem sendo realizados após o faturamento dos caminhões.

"Nosso desafio daqui para frente é buscar novos negócios em um cenário onde os juros ainda seguem altos e encarecem o financiamento de veículos novos", afirmou Cecchetto. "Por isso calculamos uma queda do mercado em 2026 na faixa dos 5% e 10% em relação a 2025."