Depois de dar notas para restaurantes e hotéis, o Guia Michelin chegou ao mundo dos vinhos. Em vez de estrelas, concede uvas para vinícolas (uma, duas ou três), com a mesma lógica que aplica a mesas e hospedagens. Uma estrela vale a parada; duas, um desvio; três, “uma viagem especial”.

O lançamento foi feito no Palácio dos Duques da Borgonha, em Dijon, em 7 de julho, com o anúncio de cerca de 100 produtores da terra do pinot noir. Bordeaux, anunciada junto com a Borgonha em dezembro passado como a segunda região a receber o tratamento, ainda espera sua vez.

Não deixou de ser emblemática a escolha da primeira classificação enológica. Primeiro, desde o filme Sideways e da série Drops of God, a região tem ganhado mesas do mundo todo, o que tem feito os preços subirem a cada safra. Segundo: a geração Z tem bebido menos, mas quando abre uma garrafa busca algo especial. Terceiro: hoje buscam-se cada vez mais vinhos menos alcóolicos e potentes.

O lançamento foi cercado de polêmicas, como de praxe em qualquer lista. Um produtor que recebeu uma estrela da publicação anunciou pelas redes sociais que estava encaminhando uma carta para a publicação pedindo sua retirada da classificação e ainda questionou os critérios, já que desde a safra 2020 não mais abre suas portas para receber a imprensa. Muitos produtores estão preocupados que a distinção aumente a demanda, em uma região que tem dificuldade para atender os pedidos atuais. Ou seja, o guia aumentaria os preços ainda mais.