Os vinhos que você comprar a partir de 2027 podem vir com uma espécie de carteira de identidade, uma espécie de RG. Foi lançado no último mês o selo do Old Vine Registry, um esforço de voluntários da indústria do vinho que há três anos catalogam e centralizam informações sobre vinhas velhas nos quatro cantos do mundo. Hoje, esse banco de dados já tem 10.786 vinhedos e um total de 46.177 hectares registrados.

O novo selo deve informar nas garrafas a idade das vinhas de onde saíram e as uvas usadas para fazer a bebida. A partir de 35 anos, uma vinha já pode ser considerada velha. Um vinhedo velho tem pelo menos 85% de vinhas com essa idade ou plantadas há mais tempo. No mercado, hoje, pode-se encontrar vinhas com mais de cem anos, plantadas logo após a crise da filoxera, praga que destruiu a viticultura na segunda metade do século 19.

Assim como no cancioneiro popular, no mundo do vinho, vinha velha é que faz bebida boa. Claro, não se pode generalizar, não são só elas que geram vinhos de qualidade, mas as videiras com décadas de vida são diferentes. Com a idade, suas raízes começam a se aprofundar mais e mais no solo em busca de água e nutrientes. É notável o efeito nas bebidas, que são mais complexas que as feitas com frutas de videiras jovens.