Numa passagem relâmpago por São Paulo, José Luis Moreira da Silva, de 46 anos, o novo CEO da Esporão, grupo que produz vinhos em três regiões portuguesas, citou entre seus desafios as mudanças nos hábitos de consumo no mundo, especialmente entre os jovens. “Procuramos naquilo que é a inovação ir de encontro a essas mudanças e produzir vinhos com menos álcool. Conseguimos um produto da casta loureiro, na região dos Vinhos Verdes, com 8% de álcool feito de forma perfeitamente natural, fermentado e sem açúcar residual”, diz. Ele acredita que para as novas gerações a produção orgânica é tão relevante quanto o teor alcoólico menor. “Não estamos inventando nada, mas usando práticas tradicionais e com o conhecimento de hoje tentamos adaptá-las para ter perfis de vinhos que vão ao encontro desse novo contexto”, diz. A transparência é outro aspecto: “Agora, nossos contrarrótulos possuem um QR code com a lista de todos os ingredientes. Para os jovens isso faz diferença.” Atento às novas tendências de consumo, o evento Vinhos de Portugal, que começa na quinta-feira em São Paulo, terá uma prova comandada por Thomas Sampaio, criador do perfil on-line Jovem do Vinho. Carioca, de 27 anos, apaixonado por vinhos, ele desenvolveu a plataforma para falar da bebida de forma descomplicada, fazer indicações independentes e falar de viagens. Tem 137 mil seguidores. Sampaio escolheu criteriosamente os vinhos que vai apresentar na prova que fará no dia de abertura do evento em São Paulo e no Rio de Janeiro, no dia 5 de junho. “São só vinhos que gosto muito e cada um deles tem uma história”, diz. Na lista paulista estão brancos e tintos de regiões diferentes, um espumante e um Porto: espumante Maria Gomes, 2024, Luis Pato, Bairrada; Palpite Branco, 2024, Fita Preta, Alentejo; Quinta Dona Sancha, 2022, Encruzado, Dão; Fresh from Amphora Nat Cool Tinto, 2025, Rocim, Alentejo; Vallado Tinto, 2010, Douro; e Porto Branco 50 Years Old, Menin. “Estive na Fita Preta, o lugar é de uma beleza estonteante e sou admirador dos vinhos que faz o António Maçanita. A Rocim é outro de meus lugares preferidos no Alentejo e esse vinho de ânfora me agrada porque é um tinto fresco, leve e descomplicado”, diz. Já o espumante Maria Gomes ele conheceu por indicação do dono do restaurante quando foi comer o famoso leitão da Bairrada. Ele também quer trazer um novo olhar ao vinho do Porto. “Se fala cada vez menos em vinho do Porto e menos ainda de Porto branco. Como a prova é um momento de aprendizado, achei bacana mostrar que Porto Branco não serve só pra fazer o drinque Porto Tônica, como muita gente pensa. Esse tem untuosidade, textura, é denso.” Foi durante a pandemia que Sampaio percebeu que não existia um clube de assinatura de vinhos que não vendesse, mas apenas indicasse boas opções sem fins comerciais. Assim ele começou e evoluiu, anos depois, para o Jovem do Vinho. “Nunca esperei chegar ao tamanho que estou hoje, que fosse dar tão certo. Mais do que o fato de eu ser jovem, o Jovem do Vinho é um jeito de comunicar, de falar de uma maneira mais acessível, de aprender com mais facilidade, com um linguajar menos técnico. Essa é a jovialidade.” A prova “As escolhas do Jovem do Vinho”, que acontece em São Paulo dia 28 está esgotada. Mas há ingressos para a prova no Rio, 5 de junho, das 10h às 20 h. Quem também estará no evento é o enólogo Pedro Oliveira Silva Reis, de 35 anos, da terceira geração da centenária Real Companhia Velha, no Douro. Ele acredita que uma das dificuldades para atrair jovens é o fato de que as tendências sugerem não só a reduzir o consumo mas até a abstinência. “Em Portugal, vemos o vinho como algo cultural e promovemos o consumo moderado como parte da dieta mediterrânea. Atrair a juventude implica em divulgar métodos de produção, cuidados e a paixão. E mostrar o momento certo para usufruir o máximo prazer ao contrário do consumo excessivo”, afirma. Uma das estratégias da Real Companhia Velha tem sido despertar o interesse e a curiosidade por uvas autócnes da região e apostar em vinhos de origem que exprimem o terroir. O Vinhos de Portugal 2026 é uma realização dos jornais Valor, “O Globo” e “Público”, em parceria com a ViniPortugal, com a participação do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto; apoio do Turismo de Portugal, das Comissões do Vinhos de Lisboa, Dão, Alentejo, Vinhos Verdes, Agências Regionais de Promoção Turística Centro de Portugal, do Porto e Norte e do Alentejo - Cofinanciados pela União Europeia através do Programa Compete 2030, Quinta do Paral, queijos Président e Granfino, água oficial Águas Prata, cia. aérea oficial TAP Air Portugal, local oficial Shopping JK Iguatemi (SP), Jockey Club Brasileiro (RJ), loja oficial Woods Wine, assessoria de imprensa InPress Porter Novelli, promoção Clube O Globo, rádio oficial CBN e curadoria Out of Paper.
Vinícolas buscam dialogar com jovens
Produtores apostam em versões menos alcoólicas, produção orgânica e mais informações sobre origem dos rótulos








