Depois de uma longa carreira como repórter, produtor de televisão e editor de livros da poderosa Objetiva, Roberto Feith lança aos 73 anos seu primeiro romance, "Filhos da Mãe Gentil".
Ele conta que a estreia tardia vinha sendo preparada havia tempo. "A gente vai ficando mais velho, mais perto do fim e sente o impulso de criar", afirma. Ele cita o ensaísta americano Kenneth Rexroth: "Contra a ruína do mundo só existe uma defesa: o ato criativo".
O livro acompanha Roberval Pompermayer, jornalista veterano que perdeu espaço e acaba envolvido com a fabricação de celebridades, a contravenção, o mercado financeiro, a política e uma startup de inteligência artificial.
Para ele, o romance não representa propriamente uma ruptura. "Até hoje eu vivi da narrativa, de contar histórias. Como repórter, produtor e diretor de documentários e editor de livros. Acho que é o que eu gosto de fazer. Minha maneira de habitar o mundo."
Roberval carrega algo dessa trajetória. Feith diz compartilhar "as dores" do personagem, um profissional experiente cujas aptidões deixaram de encontrar demanda evidente. O jornalista do romance, porém, não é apenas uma figura individual. "Ele também representa os desafios da imprensa nos dias de hoje", diz o autor.










