Um novo estudo internacional liderado por pesquisadores brasileiros e baseado em dados do Telescópio Espacial James Webb descobriu que algumas galáxias distantes têm uma presença de hélio muito maior do que a esperada. O trabalho, publicado no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, traz mais uma peça do quebra-cabeças que é a história de 13,8 bilhões de anos de evolução química desde o Big Bang.
O hélio é o segundo elemento mais comum do Universo e o primeiro em ordem de sem-gracice. O mais simples dos chamados gases nobres, leva esse nome pomposo porque é um recluso químico: ele se recusa a se combinar com outros elementos (ou mesmo consigo mesmo) para formar moléculas. Contudo, por trás dessa aparente irrelevância, ele pode trazer informações preciosas sobre as origens e a evolução do Cosmos.
Um aspecto interessante é que a imensa maioria de todo o hélio que existe foi forjado a partir do próprio Big Bang, nos primeiros instantes da expansão cósmica. Depois disso, suas quantidades iniciais seriam enriquecidas pela formação de estrelas, que fundem hidrogênio em seu núcleo para produzi-lo.
Isso significa dizer que a abundância de hélio em uma dada galáxia tem correlação não só com a quantidade herdada do Big Bang (que é mais ou menos homogênea, seja onde for), mas com o processo de formação estelar (que pode produzir mais).











