Com tamanho de arranha-céu, 'objetos quase interestelares' serão extremamente difíceis de serem encontrados no espaço 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O Observatório de Dinâmica Solar capturou uma imagem de laços coronais em uma região ativa do Sol em janeiro de 2012, usando luz ultravioleta extrema (171 angstroms) — Foto: Divulgação / Nasa RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/07/2026 - 19:26 "Objetos Quase Interestelares: Vestígios do Passado do Sistema Solar" Durante os primeiros milhões de anos, o Sol ejetou cerca de 10 quatrilhões de cometas e asteroides, que podem estar retornando após uma viagem de bilhões de anos. Chamados de "objetos quase interestelares", esses corpos oferecem uma janela para o passado do sistema solar. A identificação é difícil, pois menos de um deles entra na órbita de Júpiter anualmente, mas se confirmada, a descoberta pode revelar a composição original do sistema solar. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Durante os primeiros milhões de anos de sua existência, o Sol ejetou uma quantidade colossal de material para o espaço profundo: quase 10 quatrilhões de cometas e asteroides primordiais, de acordo com um novo estudo publicado como pré-print no repositório científico arXiv. A maioria desses corpos gelados nunca retornou, mas os pesquisadores agora levantam uma possibilidade inesperada: uma fração deles pode estar voltando após uma jornada de bilhões de anos pela Via Láctea. O fenômeno é particularmente relevante em um momento em que a comunidade astronômica tem concentrado sua atenção em objetos interestelares como 1I/'Oumuamua, 2I/Borisov e, mais recentemente, 3I/ATLAS — corpos que atravessam o sistema solar vindos de outras estrelas e oferecem pistas sobre como os sistemas planetários se formam em outras partes da galáxia. O novo estudo propõe a hipótese inversa: se outras estrelas estão enviando objetos em direção à nossa vizinhança, o Sol também pode estar recuperando parte do material que ejetou em seus estágios iniciais. Os pesquisadores apelidaram esses potenciais visitantes de "objetos quase interestelares". Ao contrário dos verdadeiros cometas interestelares, que nasceram ao redor de outras estrelas e nunca estiveram gravitacionalmente ligados ao Sol, esses corpos teriam se formado em nosso próprio sistema planetário, viajado pelo espaço interestelar e, ao longo de eras, retornado à influência gravitacional do Sol. De acordo com os modelos utilizados no estudo, aproximadamente 95% dos cometas e asteroides que se formaram nas regiões externas do sistema solar foram ejetados durante os estágios iniciais de sua evolução, um processo que dispersou cerca de 10 quatrilhões de corpos, cada um maior que um arranha-céu, por diferentes áreas da Via Láctea. Apesar dessa dispersão massiva, a gravidade do Sol nunca deixa de exercer uma influência, ainda que fraca, sobre parte do material ejetado para o espaço. Uma descoberta que é quase impossível de confirmar Encontrar um desses objetos, no entanto, será extremamente difícil. Os cálculos da equipe de pesquisa indicam que, em média, menos de um objeto quase interestelar entra na órbita de Júpiter a cada ano, reduzindo drasticamente as chances de detecção, mesmo para instrumentos de última geração. Entre eles está o Legacy Survey of Space and Time (LSST) do Observatório Vera C. Rubin, que enfrentará o desafio adicional de distinguir esses corpos da população muito maior de cometas provenientes da Nuvem de Oort. Esta última região é uma área teórica localizada na extremidade do sistema solar, a cerca de 100.000 unidades astronômicas do Sol — ou seja, cerca de 100.000 vezes a distância entre a Terra e a nossa estrela. É considerada a origem da maioria dos cometas de longo período, aqueles capazes de levar milhões de anos para completar uma órbita solar. Sua natureza teórica decorre precisamente da enorme distância e da baixa densidade de objetos, o que torna difícil observá-los individualmente, mesmo com os telescópios mais potentes disponíveis atualmente. A chave para distinguir um objeto quase interestelar de um cometa comum, ou de um verdadeiro visitante interestelar, reside na sua velocidade de entrada. Objetos genuinamente interestelares — como o 3I/ATLAS, detectado em 2025 e atualmente em sua fase final de saída do sistema solar após passar pelo ponto de maior aproximação ao Sol — entram com trajetórias hiperbólicas e altas velocidades, resultado de terem sido ejetados de outra estrela muito antes da existência do nosso próprio sistema planetário. Objetos quase interestelares, por outro lado, movem-se consideravelmente mais lentamente, pois são corpos que fazem uma viagem de ida e volta dentro da esfera de influência gravitacional do Sol. Tempestade solar 'extrema' proporciona espetaculares auroras boreais 1 de 8 Christchurch, Nova Zelândia — Foto: Sanka Vidanagama / AFP 2 de 8 Middletown, Estados Unidos — Foto: JOSH EDELSON / AFP X de 8 Publicidade 8 fotos 3 de 8 Middletown, Estados Unidos — Foto: JOSH EDELSON / AFP 4 de 8 Fusch An Der Glocknerstraße, Austria — Foto: FK / APA / AFP X de 8 Publicidade 5 de 8 Vienna, Austria — Foto: AX SLOVENCIK / APA / AFP 6 de 8 New Brighton, Reino Unido — Foto: PAUL ELLIS/AFP X de 8 Publicidade 7 de 8 Edimburgo, Reino Unido — Foto: Handout / Jacob Anderson / AFP 8 de 8 Lofoten Islands, Noruega — Foto: Olivier MORIN / AFP X de 8 Publicidade A primeira de várias ejeções de plasma e campos magnéticos do Sol começou pouco depois das 16h00 Essa diferença de velocidade não só serviria para identificá-los, como também os tornaria uma fonte única de informação: enquanto os objetos interestelares fornecem uma amostra química de outros sistemas planetários, os objetos quase interestelares preservariam um registro direto da composição original do próprio sistema solar em seus primeiros milhões de anos de existência, antes que esse material fosse ejetado para o espaço profundo. Uma janela para o passado remoto do sistema solar Se os astrônomos conseguirem identificar e confirmar um desses corpos no futuro, a descoberta permitirá reconstruir parte da história inicial do sistema solar, particularmente as condições que existiam durante a formação do Sol e dos planetas. Este é um período sobre o qual muito ainda precisa ser compreendido, apesar dos recentes avanços no estudo de cometas e asteroides primitivos, incluindo missões espaciais como Stardust e Deep Impact, que já forneceram evidências da complexidade química desses corpos gelados. Por ora, a existência de objetos quase interestelares permanece uma hipótese apoiada por modelos matemáticos, e não por detecções confirmadas. Mas, se comprovada, essa descoberta se somaria à crescente lista de achados relacionados a visitantes cósmicos nos últimos anos, oferecendo uma nova perspectiva: a possibilidade de o sistema solar estar literalmente redescobrindo fragmentos de seu próprio passado remoto.