Descoberta oferece pista importante sobre a origem desse alimento na Terra e, possivelmente, sobre o surgimento da vida no planeta 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O centro galáctico da Via Láctea, captado pelo Telescópio Espacial Spitzer em 2006. Pela primeira vez, cientistas detectaram açúcar no espaço interestelar, fornecendo uma pista importante sobre as origens do açúcar na Terra e, possivelmente, o surgimento da vida — Foto: NASA/JPL-CALTECH/S. STOLOVY via The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/07/2026 - 14:24 Descoberta de Açúcar no Espaço Sugere Possibilidades de Vida Extraterrestre Cientistas descobriram pela primeira vez açúcar no espaço interestelar, identificando a molécula eritrulose perto do centro da Via Láctea. Essa descoberta sugere que açúcares podem se formar no meio interestelar, oferecendo pistas sobre a origem da vida na Terra e a possibilidade de vida em outros lugares do Universo. A pesquisa, publicada na Nature Astronomy, destaca a busca por moléculas como ribose e desoxirribose, componentes do RNA e DNA. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Nossa compreensão sobre a Via Láctea acaba de ficar um pouco mais doce. Pela primeira vez, cientistas identificaram açúcar no espaço interestelar, oferecendo uma pista importante sobre a origem do açúcar na Terra e, possivelmente, sobre o surgimento da vida, de acordo com um novo estudo publicado nesta segunda-feira na revista científica Nature Astronomy. — Este é um açúcar de verdade, autêntico — afirmou Brett McGuire, astroquímico do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que não participou do estudo. — É simplesmente incrivelmente empolgante. A origem do açúcar na Terra ainda é um mistério. Os cientistas sabem que ele precisou estar presente muito cedo na história do planeta, já que é um componente essencial para o surgimento da vida. No entanto, experimentos de laboratório que tentaram recriar as condições químicas necessárias para sua formação falharam repetidamente em produzir essas moléculas. Então, como o açúcar chegou até aqui? Os pesquisadores acreditam que ele pode ter sido trazido à Terra por impactos de asteroides e cometas nos primeiros estágios da história do planeta, já que diversos tipos de açúcares, incluindo glicose e ribose, já foram encontrados em asteroides e meteoritos. Mas a questão sobre a origem dessas moléculas antes disso permanecia sem resposta. — Havia um enorme interesse em tentar encontrar essas moléculas — afirmou Izaskun Jiménez-Serra, astroquímica do Centro de Astrobiologia da Espanha e líder do novo estudo. Segundo ela, no início dos anos 2000, quando a busca por açúcares estava ganhando força, mas ainda sem resultados, "eu, na verdade, não tinha muita esperança". Nos últimos anos, porém, à medida que os pesquisadores passaram a detectar outras moléculas orgânicas complexas em nebulosas, ela se tornou mais otimista. O meio interestelar da Via Láctea era um local promissor para essa busca. O meio interestelar é composto por toda a poeira e os gases existentes entre os sistemas estelares e, apesar das condições extremas, é "uma impressionante fábrica química", escreveram os autores do estudo. Centenas de moléculas já foram identificadas nesse ambiente, incluindo alguns dos blocos fundamentais do RNA mensageiro, responsável por transmitir informações genéticas nas células. Além disso, experimentos em laboratório sugeriam que açúcares poderiam ser formados a partir de reações químicas em gelos presentes no meio interestelar. Por isso, fazia sentido procurar essas moléculas justamente nesse ambiente. Jiménez-Serra e seus colaboradores utilizaram dois radiotelescópios para observar profundamente a região central da Via Láctea, coletando dados sobre as frequências de rádio emitidas pelo meio interestelar. À medida que as moléculas no espaço giram e se movimentam, elas emitem frequências específicas. Comparando os padrões dessas frequências com aqueles produzidos pelas moléculas em laboratório, os pesquisadores conseguiram identificar quais substâncias estavam presentes no espaço. Finalmente, encontraram o que procuravam. Um dos padrões observados em uma nebulosa próxima ao centro da Via Láctea coincidiu com o de um açúcar chamado eritrulose. A eritrulose é composta por quatro átomos de carbono, oito de hidrogênio e quatro de oxigênio. Na Terra, ela é encontrada em framboesas. — Foi uma correspondência muito bonita — disse Jiménez-Serra. Ela acrescentou que, ao perceber o resultado, "meu coração começou a bater muito, muito rápido". Foi um momento empolgante, mas a cientista quis ter certeza de que realmente se tratava de açúcar. A equipe revisou os dados repetidas vezes para confirmar que não era outra molécula nem um erro de análise. Os resultados, porém, permaneceram consistentes. — Os dados e a análise sustentam a conclusão de que essa molécula realmente está lá — afirmou McGuire. — Eles fizeram um esforço extraordinário para descartar todas as possibilidades de confusão. — Os resultados também foram aprovados por Yoshihiro Furukawa, astroquímico da Universidade de Tohoku, no Japão, que não participou da pesquisa. Furukawa liderou os estudos que identificaram açúcares no asteroide Bennu há alguns anos. A nova descoberta confirma que o açúcar pode se formar no meio interestelar sem a participação de organismos vivos, inclusive antes mesmo da formação de estrelas e planetas. Esse é um passo fundamental para a formação do RNA e do DNA e ajuda a explicar como a vida surgiu na Terra. A descoberta também aumenta a possibilidade de que a vida tenha surgido em outros lugares do Universo. — Se o meio interestelar é capaz de formar esses ingredientes, eles também podem estar presentes em outras nuvens moleculares espalhadas pela galáxia, aumentando as chances de que a vida se desenvolva em outros lugares — afirmou Jiménez-Serra. E esse açúcar pode ser apenas o começo. A pesquisadora pretende agora procurar açúcares mais complexos, como a ribose e a desoxirribose, moléculas que compõem o RNA e o DNA. Os pesquisadores estimam que entre 500 mil e 50 milhões de toneladas desse açúcar possam ter sido transportadas para a Terra durante o período crítico do início de sua formação. Igualmente interessante foi o que eles não encontraram: um açúcar ligeiramente menor, composto por três átomos de carbono. Como a equipe identificou uma molécula mais complexa, foi surpreendente não detectar a versão mais simples. — Isso desafia, em certa medida, as expectativas baseadas na química que conhecemos — afirmou McGuire. — Estou ansioso para ver a comunidade científica se aprofundar nessa descoberta e dizer: 'Nossa, isso foi estranho. Isso foi extraordinário. Isso foi inesperado. O que isso significa?' Tempestade solar 'extrema' proporciona espetaculares auroras boreais 1 de 8 Christchurch, Nova Zelândia — Foto: Sanka Vidanagama / AFP 2 de 8 Middletown, Estados Unidos — Foto: JOSH EDELSON / AFP X de 8 Publicidade 8 fotos 3 de 8 Middletown, Estados Unidos — Foto: JOSH EDELSON / AFP 4 de 8 Fusch An Der Glocknerstraße, Austria — Foto: FK / APA / AFP X de 8 Publicidade 5 de 8 Vienna, Austria — Foto: AX SLOVENCIK / APA / AFP 6 de 8 New Brighton, Reino Unido — Foto: PAUL ELLIS/AFP X de 8 Publicidade 7 de 8 Edimburgo, Reino Unido — Foto: Handout / Jacob Anderson / AFP 8 de 8 Lofoten Islands, Noruega — Foto: Olivier MORIN / AFP X de 8 Publicidade A primeira de várias ejeções de plasma e campos magnéticos do Sol começou pouco depois das 16h00
Uma doce surpresa: cientistas encontram açúcar nas profundezas da nossa galáxia
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