Restos mortais encontrados perto de Stonehenge haviam sido atribuídos a um homem desde o século XIX; exame genético revelou cromossomos XX 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 DNA revela que “xamã” da Idade do Bronze era, na verdade, uma mulher — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/07/2026 - 10:07 Análise de DNA revela que restos mortais de Stonehenge são de mulher, não homem Uma análise de DNA revelou que restos mortais, atribuídos a um homem desde o século XIX e encontrados perto de Stonehenge, pertencem na verdade a uma mulher. Conhecido como Shaman Upton Lovell, o sepultamento, datado de 4 mil anos, continha ferramentas de metalurgia e objetos cerimoniais, indicando seu prestígio. A descoberta desafia visões tradicionais e destaca o papel feminino na Idade do Bronze. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma análise de DNA reescreveu a história de um dos mais famosos sepultamentos da Idade do Bronze na Inglaterra. Restos mortais encontrados há mais de 200 anos perto de Stonehenge, atribuídos durante todo esse tempo a um homem, pertenciam, na verdade, a uma mulher que desempenhava funções ligadas à metalurgia e, possivelmente, a rituais religiosos. O sepultamento, conhecido como Shaman Upton Lovell, tem cerca de 4 mil anos e foi descoberto em 1801, a aproximadamente 16 quilômetros de Stonehenge. O túmulo chamou a atenção dos arqueólogos por conter um conjunto sofisticado de ferramentas de metalurgia e objetos cerimoniais, indicando que a pessoa ocupava uma posição de prestígio na sociedade da época. Entre os artefatos encontrados estavam machados de pedra, ferramentas com vestígios de ouro, uma pedra de toque usada para testar a pureza dos metais e ossos de animais perfurados, que provavelmente faziam parte de um manto cerimonial. Na época da descoberta, arqueólogos concluíram que o indivíduo era um homem. A interpretação foi baseada principalmente na associação entre metalurgia e liderança masculina, além do tamanho dos ossos. O arqueólogo inglês William Cunnington chegou a afirmar que, pela robustez do esqueleto, tratava-se de “um homem forte”. Mais de dois séculos depois, uma análise genética mudou completamente essa interpretação. Inicialmente, os pesquisadores pretendiam apenas investigar a ancestralidade da pessoa enterrada. No entanto, os exames revelaram a presença de cromossomos XX, indicando que o indivíduo era do sexo feminino. Para confirmar o resultado, a equipe coletou amostras de diferentes partes do esqueleto. Todas apontaram para a mesma conclusão. Segundo o diretor do Museu de Wiltshire, David Dawson, a descoberta desafia uma visão tradicional da arqueologia que frequentemente associava funções de prestígio exclusivamente aos homens. — Estamos acostumados à ideia de que os homens faziam tudo: eram líderes e metalúrgicos. Agora temos uma prova contundente de que uma mulher exercia a metalurgia, que era a tecnologia mais avançada da época — afirmou. A mulher media cerca de 1,65 metro, uma estatura considerada elevada para os padrões da Idade do Bronze. Após a descoberta, o Museu de Wiltshire anunciou que atualizará a exposição dedicada ao sepultamento. Até então, a personagem era representada como um homem barbado. Para a curadora Lisa Brown, a nova interpretação amplia o conhecimento sobre o papel feminino na sociedade pré-histórica. — Agora temos uma compreensão completamente nova desse sepultamento. Estamos reescrevendo sua história, quebrando estereótipos e colocando as mulheres no centro da nossa compreensão sobre a sociedade do início da Idade do Bronze — afirmou.