Cientistas brasileiros acompanharam mais de 2.000 crianças ao longo de 15 anos para entender quais fatores presentes no início da vida podem prever o risco de tentativas de suicídio no futuro.

Os principais preditores encontrados foram ser do sexo feminino, sofrer traumas na infância –especialmente bullying e abusos físicos–, ter um cuidador principal com histórico de comportamento suicida e apresentar transtornos do comportamento, como por exemplo o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade).

Os resultados foram divulgados na revista The Lancet Regional Health – Americas.

"As tentativas de suicídio na infância e na adolescência são comuns, recorrentes e constituem o mais forte preditor de morte por suicídio. No entanto, seus antecedentes desenvolvimentais permanecem pouco compreendidos, especialmente em países de baixa e média renda", afirma Rodolfo Furlan Damiano, integrante do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM) e coordenador da investigação.

Segundo ele, o estudo buscou entender três pontos principais: se a pessoa chegará a tentar o suicídio (a incidência do problema); com qual idade acontece a primeira tentativa (momento de início); e quantas vezes essas tentativas ocorrem.