Antes mesmo de completar dez anos, uma criança brasileira já tem mais chance de conviver com algum grau de incapacidade causada por ansiedade do que por qualquer doença física, aponta um dos achados da mais abrangente análise já feita sobre saúde mental infantojuvenil no Brasil.
A pesquisa, publicado na The Lancet Regional Health - Americas, usa dados do estudo GBD 2023 (Global Burden of Disease, ou Estudo da Carga Global de Doenças) e mostra que mais de 15 milhões de crianças, adolescentes e jovens adultos brasileiros de 5 a 29 anos convivem com pelo menos um transtorno mental —20,91% de toda a população nessa faixa etária no país.
Outros 2,5 milhões, 3,36% do total, preenchem critérios para um transtorno por uso de substâncias. É a primeira vez que a situação é detalhada por faixa etária, em janelas de cinco em cinco anos. A pesquisa é liderada pelo psiquiatra Christian Kieling, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.
Para ele, esse recorte da infância ao início da vida adulta é decisivo para pensar política pública. "Se eu olho para infância e adolescência como um conjunto único, daqui a pouco estou oferecendo serviços que atendam questões de depressão para menores de dez anos."






