Adolescentes que tentaram suicídio frequentemente acumulam experiências de violência, conflitos familiares, isolamento social e dificuldades para lidar com emoções intensas. Sentimentos de abandono, rejeição e falta de pertencimento também fazem parte. É o que aponta um estudo publicado em abril na revista da Escola de Enfermagem da USP (Universidade de São Paulo).
Conduzida por pesquisadores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e da UFS (Universidade Federal de Sergipe), a pesquisa ouviu 12 adolescentes entre 14 e 19 anos atendidos em Caps (Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil) na capital paulista. Entre os fatores mais citados pelos jovens estavam bullying, negligência emocional, discriminação, autolesão e sintomas de ansiedade e depressão.
Os relatos mostram que o sofrimento emocional dos jovens nessa faixa etária costuma ser resultado de vulnerabilidades acumuladas ao longo do tempo. "A escuta ativa permite que se sintam valorizados e protagonistas de suas narrativas", diz a enfermeira Rafaela Lima Monteiro, pesquisadora da UFS e uma das autoras do estudo.
"Muitas dessas tentativas, por terem baixa letalidade, nunca chegaram aos serviços de saúde. O sofrimento ficou invisível, sem registro e sem cuidado."






