Comportamento das crianças está relacionado à necessidade de aprovação entre colegas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Crianças acompanham trends nas redes sociais — Foto: Freepik RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/07/2026 - 22:05 Desafios Virais: 25% dos Adolescentes Arriscam Saúde por Aprovação Social Um estudo argentino revela que um em cada quatro adolescentes participou de desafios virais, muitos potencialmente perigosos, em busca de aprovação social. Especialistas alertam para os riscos à saúde física e psicológica e destacam a importância do diálogo e do apoio familiar. O uso problemático das redes sociais é apontado como fator de influência, reforçando a necessidade de desenvolver o pensamento crítico nos jovens. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Recentemente, diversos desafios virais que circularam nas redes sociais trouxeram o assunto de volta à tona. Alguns ganharam atenção internacional, como o Blackout Challenge, e geraram preocupação quanto às possíveis consequências para crianças e adolescentes participantes. Embora muitos desafios consistam em jogos simples, coreografias ou atividades recreativas, outros podem representar riscos à saúde física, psicológica ou social. Nesse contexto, um estudo recente feito na Argentina forneceu dados que ajudam a compreender a dimensão do fenômeno, que também afeta o Brasil: um em cada quatro adolescentes argentinos relatou ter participado de pelo menos um desafio viral no último ano. O estudo, publicado na revista científica Youth & Society, analisou as respostas de 848 adolescentes argentinos com idades entre 11 e 17 anos. As principais conclusões foram: Um em cada quatro adolescentes participou de pelo menos um desafio viral no último ano.14% participaram de um ou dois desafios.5% participaram de três ou quatro.6% completaram cinco ou mais desafios.Cerca de 4% admitiram ter participado de um desafio que consideraram arriscado para seu bem-estar físico ou psicológico. “Os desafios virais são muito diversos. Alguns são recreativos, outros beneficentes, e alguns podem de fato representar um risco à saúde. Como o Desafio da Baleia Azul, que consiste em uma série de desafios que incluem atos de automutilação e culminam em suicídio; ou desafios que não são tão extremos, mas são perigosos para o bem-estar físico e psicológico, como ficar muitos dias sem dormir”, explica Santiago Resett, doutor em Psicologia, pesquisador independente do Conicet (Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnica) e autor principal do estudo. Ele esclarece: “Nem todo desafio viral é perigoso, mas é importante que os adultos sejam capazes de distinguir quando um desafio deixa de ser uma brincadeira e começa a se tornar um problema”. A primeira resposta encontrada pelos pesquisadores tem a ver com uma característica da adolescência: a necessidade de pertencimento. “A principal motivação que encontramos é social. Os jovens sentem que, se não participarem, podem ser excluídos do grupo. Eles chegam a acreditar que seus colegas podem deixar de ser seus amigos”, explica Resett. Criança chorando — Foto: Freepik O estudo também descobriu que muitos adolescentes gostam de ver outros imitando os desafios que eles postam ou afirmam participar, para se sentirem parte de um grupo. Para os pesquisadores, essa necessidade de reconhecimento é um dos principais fatores que impulsionam esse tipo de comportamento. O estudo encontrou uma associação entre a frequência com que os adolescentes participam de desafios virais e um uso mais problemático da internet e das redes sociais. Em outras palavras, quanto mais compulsivo o uso das plataformas, maior a participação nesses tipos de desafios. “Todo comportamento compulsivo busca gratificação cada vez maior. Então, você quer cada vez mais ‘curtidas’, e isso faz com que você corra mais riscos para conseguir mais curtidas”, afirma Resett. Segundo o pesquisador, essa necessidade de aprovação pode levar alguns adolescentes a se exporem progressivamente mais para chamar a atenção dos outros. Para María Zysman, psicóloga educacional e fundadora da Libres de Bullying (Livres do Bullying), os desafios virais fazem parte de um problema maior: o uso problemático das redes sociais e a necessidade de reconhecimento pelos outros. “Muitas crianças tentam provar que são valiosas ou corajosas. Elas se testam porque precisam se sentir importantes para os outros”, explica. A especialista recomenda atenção se um adolescente: Passa cada vez mais tempo online; depende excessivamente da aprovação dos outros; muda seus hábitos de sono; começa a se isolar; precisa constantemente provar que é “corajoso” ou aceito pelos colegas. Criança no tablet — Foto: Freepik Em vez de se perguntar se a criança está participando de um desafio viral, Zysman sugere que as famílias observem o papel que as redes sociais desempenham na vida do filho, como ele interage com os colegas e o quanto depende da opinião dos outros para se sentir importante. Diante dessa situação, os especialistas concordam que a raiva ou a punição geralmente são ineficazes. “Muitos pais reagem tirando os celulares dos filhos. Mas a conversa deveria começar bem antes, quando decidimos dar um aparelho a eles. Precisamos falar sobre as sugestões que podem aparecer online e ajudar as crianças a desenvolverem o pensamento crítico para tomarem decisões conscientes”, diz Zysman. Para a psicóloga educacional, o desafio não é proibir, mas ajudar as crianças a desenvolverem o pensamento crítico. “Eu trabalho muito com elas na ideia de que a verdadeira rebeldia hoje em dia é ousar largar o celular e não viver obcecado com curtidas ou com o que os outros estão fazendo”, afirma. Converse antes de punirNão tire o celular deles simplesmenteInteresse-se pelo mundo digital que as crianças frequentamConverse sobre a pressão dos colegas e a busca por aprovação nas redes sociaisAumente a autoestima deles para que não precisem provar seu valor por meio de desafiosMantenha uma presença adulta ativa, baseada em apoio e não em controle Zysman também aconselha a não descrever desafios específicos para não despertar a curiosidade das crianças e, em vez disso, abrir espaço para o diálogo. Perguntas como "Você já recebeu alguma proposta que te deixou desconfortável?" podem ser uma boa maneira de iniciar uma conversa. Por sua vez, Resett enfatiza que conversar, apoiar e ajudar as crianças a construir uma autoestima que não dependa de "curtidas" continua sendo a ferramenta mais eficaz para prevenir esses comportamentos.