Rotina do conflito tem mostrado que Teerã pode não ‘controlar’ Ormuz, mas segue capaz de perturbar mercados globais As lanchas rápidas, mísseis, drones e minas do Irã demonstraram que ainda podem causar estragos no Estreito de Ormuz, desafiando os ataques diários da Marinha mais poderosa do mundo. Quase cinco meses após o início da guerra, os EUA têm lançado nas últimas semanas ataques seguidos ao território iraniano - ampliando agora sua ameaça contra a rede elétrica e de infraestrutura do país -, mas ainda enfrentam os limites de seu poderio militar contra um adversário determinado em um ponto de estrangulamento global crucial. À medida que o fluxo de navios pelo estreito diminui, a alta dos preços do petróleo aumenta a pressão sobre o presidente Donald Trump. O Irã pode não ter “controle” sobre o Estreito de Ormuz, “mas é capaz de ameaçar a segurança da navegação a tal ponto que afeta preços e taxas de seguro”, disse Steve Wills, analista da Liga Naval. No atual ponto da guerra, quando os EUA intensificam seus bombardeios e se encaminham para concretizar a ameaça de Trump de mandar o Irã “de volta para a idade da pedra”, Teerã tem advertido que retaliará aos ataques mais pesados ordenando a seus aliados da milícia dos houthis do Iêmen a bloquear outro estreito, o Bab al-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho. A possibilidade de um novo bloqueio aterroriza os operadores do mercado de petróleo. Os transportadores marítimos, receosos, já não se aventuram a tentar a passagem por Ormuz, mesmo com a assistência dos EUA, já que os contínuos ataques iranianos a navios comerciais tornam essas viagens perigosas. Ontem, as hostilidades - retomadas com mais força na semana passada, com o fim do frágil cessar-fogo obtido em junho - não davam sinais de arrefecimento. Teerã contestou uma alegação de Trump de que um cidadão americano havia sido libertado pelo regime islâmico - o que poderia indicar a existência de algum contato entre as partes. Pela primeira vez desde o abandono do chamado “memorando de entendimento” - como foi nomeado o fracassado cessar-fogo -, duas grandes ondas de ataques aéreos dos EUA atingiram na quarta-feira o Irã em um mesmo dia, visando principalmente a costa sul do país. Teerã respondeu com mísseis e drones direcionados a bases militares americanas em países vizinhos, incluindo uma base aérea recentemente ampliada na Jordânia, que o Irã afirmou ter sido usada em um ataque americano a um hospital infantil com câncer na quarta-feira. Na noite de ontem, projéteis americanos atingiram a ilha de Qeshm e as proximidades de Bandar Abbas - onde se localizam o maior porto do Irã e importantes instalações da Marinha e da Guarda Revolucionária -, ambas no Estreito de Ormuz. Vários locais em Bandar Abbas foram atingidos por projéteis, informou a agência de notícias semioficial Mehr. Veículos de imprensa iranianos também relataram ataques dos EUA ontem à noite contra três pontes e a estação ferroviária na cidade costeira de Bandar Khamir, além de um ataque com mísseis dos EUA contra o aeroporto de Iranshahr, no sudeste do Irã. Trump não descarta a possibilidade de usar forças terrestres, inclusive para tomar a Ilha de Kharg, onde fica o principal terminal de exportação de petróleo do Irã. Analista estimam, porém, que esse tipo de ação seria altamente custosa em termos de baixas militares para os EUA. Os preços do petróleo têm subido constantemente em meio aos ataques contínuos de ambos os lados, com o petróleo Brent sendo negociado a até US$ 85, nos níveis mais altos desde antes de os EUA e o Irã terem anunciado o cessar-fogo. “Se o Estreito de Ormuz permanecer fechado, poderemos enfrentar novamente dificuldades para as economias globais, incluindo as da região, os países em desenvolvimento e a Ásia”, disse Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia, em entrevista na quarta-feira. “Não se trata de meses, mas de semanas”, após as quais o estreito precisa estar “totalmente aberto, incondicionalmente aberto”, afirmou. (Com agências internacionais)
EUA ampliam ataque à estrutura do Irã, que expõe limites de seu poder
Rotina do conflito tem mostrado que Teerã pode não ‘controlar’ Ormuz, mas segue capaz de perturbar mercados globais














