Cresci acreditando que a cidadania era automática. Documentos, direitos e deveres. Até que problemas reais quebraram essa ilusão. Em função de um câncer de laringe extremamente agressivo, minha mãe perdeu a voz aos 39 anos. Foi ali que entendi, pela primeira vez, as carências e os excessos de uma sociedade. Em outras palavras, conheci os famosos problemas públicos. Estes me afetaram como nunca antes.

No mesmo ano, eu entrei no curso de Administração Pública. Graças ao eterno amigo e professor Leonardo Secchi, entendi que as diretrizes para resolver esses problemas públicos são chamadas de políticas públicas. Aprendi também que as soluções não são monopólio do Estado, pois a transformação social é responsabilidade compartilhada entre poder público, mercado, sociedade civil organizada e cidadãos. Intelectualmente tudo ficava claro, mas na prática ainda me sentia impotente.Entendi que precisava conquistar o título de cidadão por meio do conhecimento e de vivências práticas. O motivo? Ninguém nasce cidadão. Nascemos indivíduos. Cidadania é conquista. Fomos criados com ritos formais, mas sem essência. O despreparo para exercer democracia e cidadania ativa é o mais democrático entre nós.

Meu convite é para que você reflita sobre a sua jornada até aqui, pois nunca é tarde para o que chamamos de metamorfose cidadã. A receita é simples. O problema é não colocá-la em prática.