O pensador francês Alexis de Tocqueville, um dos principais teóricos da democracia, ao percorrer os Estados Unidos no início do século 19, ficou impressionado não com o governo americano, mas com o hábito dos cidadãos de se associarem. Para resolver um problema local, construir uma escola ou amparar os mais pobres, os americanos formavam grupos, fundos e organizações. Tocqueville viu nisso algo raro: uma sociedade que não esperava do Estado tudo aquilo que podia fazer por si mesma.
Quase dois séculos depois, se Tocqueville viesse ao Brasil, ele teria ao menos um bom exemplo para admirar: o Fundafresp (Fundo de Assistência Social da Associação dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de São Paulo).
Quando se debate o financiamento à assistência social no país, os olhares se voltam quase exclusivamente para o Estado. É compreensível, já que cabe ao poder público a responsabilidade principal pela garantia de direitos. Mas esse reflexo tem um custo. Ele obscurece o fato de que uma parcela expressiva do trabalho social brasileiro é executada por organizações da sociedade civil: entidades que acolhem idosos, atendem pessoas com deficiência, oferecem atividades para crianças em situação de vulnerabilidade ou promovem qualificação profissional em territórios que o Estado raramente alcança com a mesma capilaridade.









