Ministério Público foi acionado por deputado em maio, mas arquivou a representação; instituição do bispo Edir Macedo foi alvo de operação da Polícia Federal por suspeitas de crimes financeiros 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Tarcísio de Freitas discursa em evento de 190 anos da Alesp — Foto: Rodrigo Romeo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/06/2026 - 13:58 Críticas a Tarcísio por contrato com banco suspeito para PMs O governador Tarcísio de Freitas enfrenta críticas por contrato com o Banco Digimais para crédito consignado a policiais militares, em meio a investigações da PF por suspeitas financeiras. Deputados questionam o convênio firmado apesar de alerta sobre problemas financeiros do banco. O MP arquivou uma representação por falta de indícios de irregularidades. O governo defende que o credenciamento é público e regulamentado. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem sido alvo de políticos e de comentários nas redes sociais após a Polícia Federal (PF) realizar uma operação, na terça-feira (23), contra o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, da Igreja Universal. O motivo é um contrato firmado entre a administração estadual e a instituição financeira para a oferta de crédito consignado a policiais militares paulistas. O contrato, vigente até 2030, foi assinado em agosto do ano passado, ocasião em que o banco já apresentava dificuldades financeiras. "Eu avisei mais uma vez. O Banco Digimais já acumulava prejuízos, denúncias e sinais de alerta, mas mesmo assim o governo Tarcísio abriu espaço para ele operar consignado na folha da PM. Nós acionamos o MP-SP, que preferiu arquivar. Agora a PF entrou no caso. Quem autorizou, quem protegeu e quem vai pagar essa conta?", questiona o deputado estadual Maurici (PT), em sua página no Instagram. Ele se refere a uma representação enviada ao Ministério Público, em 4 de maio deste ano, solicitando uma investigação sobre as circunstâncias e critérios adotados para a realização do acordo. Quatorze dias depois, o promotor André Pascoal da Silva, da Promotoria do Patrimônio Público e Social, arquivou a representação, afirmando que não havia indícios de irregularidades. "O que se vê é a mera suspeita de inidoneidade da instituição financeira que contratou com a Administração Estadual, não havendo nenhum elemento concreto que aponte para a invalidade dos acordos ou ilícitos decorrentes dele. Desse modo, como o caso dos autos não descreve nenhuma das condutas previstas na lei de improbidade administrativa, nem aponta para a causação de prejuízos ao erário ou ao patrimônio público, esta notícia de fato falece de justa causa", afirmou Silva. Procurado por meio da assessoria de imprensa do Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio afirmou, em nota, que a atuação de instituições no sistema estadual de consignações ocorre por meio de credenciamento público regulamentado há mais de dez anos. E que, atualmente, há mais de uma centena de instituições habilitadas para esse serviço no estado (veja a nota completa ao final deste texto). O Banco Digimais, procurado, não quis comentar. Nas redes, deputados estaduais e federais também cobram uma resposta do governador. "Tarcísio autorizou o Banco Digimais a operar crédito consignado para mais de 80 mil policiais militares de São Paulo. O banco já acumulava prejuízo de cerca de R$ 250 milhões quando o convênio foi firmado. Meses depois, o rombo se aproximava de R$ 500 milhões. Agora, a instituição é alvo de investigação da Polícia Federal. Quem aprovou essa operação e com base em quais critérios?", afirma o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP). Já a também deputada Sâmia Bonfim (PSOL-SP) questiona a ligação entre o Digimais, a Universal e o partido de Tarcísio, o Republicanos. "Não é segredo para ninguém que o partido Republicanos, do Tarcísio de Freitas, é projeto político da Igreja Universal. Mas o governo do estado não pode ser espaço para negociatas feitas para salvar amigos e aliados, ainda mais jogando o prejuízo e dívidas nas costas da população", disse a parlamentar, no X. Como mostrou O GLOBO na terça, o Republicanos, partido controlado pela Igreja Universal, ainda não decidiu se apoiará Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial deste ano, a despeito do anúncio, feito em fevereiro, de que Tarcísio seria o coordenador da campanha de Flávio em São Paulo. O motivo da dúvida sobre entrar ou não no barco federal passa por uma 'fila". Primeiro, os integrantes da cúpula da legenda estão focados em salvar o banco, que tem rombo estimado em R$ 8,5 bilhões. Uma eventual neutralidade na disputa passou a ser considerada como uma alternativa em meio às negociações para tentar viabilizar a solução financeira do banco. Segundo integrantes da legenda, um apoio a Lula e ao PT em outubro está descartado. A definição sobre os rumos federais do Republicanos deverá ser decidida em agosto, nas convenções da legenda. Veja abaixo a nota do governador Tarcísio de Freitas: "O Governo de SP esclarece que a atuação de instituições no sistema estadual de consignações ocorre por meio de credenciamento público, regulamentado há mais de dez anos pelo nº 60.435/2014 e normas correlatas. Atualmente, há mais de uma centena de instituições habilitadas para este serviço no Estado. Nesse modelo, não há contratação direta, convênio ou seleção discricionária por parte do Governo. As instituições interessadas devem atender a requisitos objetivos de habilitação jurídica, regularidade fiscal e conformidade regulatória, sendo o credenciamento ato vinculado ao cumprimento dessas exigências, com publicação oficial. O estado também assegura a livre adesão dos servidores dentre as instituições credenciadas. No âmbito desse sistema, está o Digimais, que, na época do contrato, atendeu todos os requisitos para ser credenciado, inclusive junto ao Banco Central. O Governo mantém acompanhamento contínuo do tema e está estudando medidas cautelares -- há inclusive um Processo aberto com essa finalidade --, promove ainda a atualização de seus normativos e mecanismos de controle, com foco na regularidade das operações, na proteção dos usuários e na integridade do sistema".
Oposição mira em Tarcísio por contrato do estado de SP com Banco Digimais para oferta de consignado a policiais militares
Ministério Público foi acionado por deputado em maio, mas arquivou a representação; instituição do bispo Edir Macedo foi alvo de operação da Polícia Federal por suspeitas de crimes financeiros






