Na última segunda (1°), o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), criticou a operação e saiu em defesa da empresária Karina Gama, responsável pelo ICB. Ele afirmou que considera Karina uma mulher "decente" e "trabalhadora" e sugeriu "perseguição política", caso a investigação esteja relacionada à ligação dela com o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ao ser questionado sobre a declaração de Nunes, Tarcísio disse que a operação da polícia é uma coisa que o governo não interfere. "A polícia tem autonomia para fazer as suas investigações, para fazer as suas operações. É uma instituição de Estado", falou o governador pela primeira vez publicamente sobre a operação. O governador defendeu que havia uma investigação e que a polícia cumpriu a demanda do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). "E, portanto, tivemos a operação. E sempre vai ser assim. A polícia vai ser e sempre será uma instituição do Estado, está a serviço do Estado". Após críticas de Nunes, Tarcísio comenta operação sobre contrato de Wi-Fi e defende autonomia da polícia: 'A gente não interfere' — Foto: EPTV/Reprodução "Isso não faz o menor sentido. Vai numa linha contrária ao que foi a linha da prosperidade americana ao longo do tempo, porque a prosperidade americana foi construída em cima do mercado livre, do mercado aberto, do mercado competitivo, inovador, do sistema financeiro forte", disse. Mais notícias da região: Segundo representação do delegado Antonio Carlos Munuera Silveira, a Prodam cobrava R$ 230 para instalar cada ponto de internet e R$ 306 por mês para mantê-lo em funcionamento, enquanto o contrato firmado com o ICB previa pagamento de R$ 1.800 por ponto, valor que, segundo o documento, era superior aos preços normalmente praticados pela administração municipal. A investigação não mencionou se o valor da mensalidade estava embutido no preço do ponto. "Correspondendo a uma cobrança pelo menos duas vezes superior aos preços usualmente praticados pela Administração Municipal", diz o delegado. A Prodam, que atua nessa área de wi-fi, não participou do chamamento público para a execução do WiFi livre, que teve a ONG como única participante. Em nota, a prefeitura alegou que a decisão de firmar uma parceria com uma organização social foi por conta da instalação de pontos de internet em áreas vulneráveis da cidade como favelas e comunidade, o que exige uma experiência de cunho social (leia mais abaixo). O instituto é de propriedade da empresária Karina Ferreira da Gama, sócia da Go UP, produtora do filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intitulado "Dark Horse" ("Azarão", na tradução do inglês). Na operação, foram recolhidos computadores, celulares, documentos e notas fiscais na Prefeitura de SP e na ONG. Ao todo, sete mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos endereços ligados à dona da produtora e também na sede da Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação, responsável pelo contrato entre a gestão municipal e a ONG. O apontamento do delegado dos valores acima do mercado consta de pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal encaminhado pela Polícia Civil à Justiça no âmbito da investigação sobre a contratação do instituto para operar o programa de internet gratuita em regiões vulneráveis da capital. Contrato de wifi entre ONG de Karina Gama e Prefeitura de SP é alvo de investigação — Foto: Reprodução O que diz a prefeitura de SP "A Prefeitura de São Paulo informa que o Programa WiFi Livre funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real no link https://wifilivrecomunidades.org/sp. Os serviços previstos no Termo de Colaboração com o Instituto Conhecer Brasil que abrange 3200 pontos, estão sendo executados e não foi identificada até o momento qualquer irregularidade no processo de contratação da parceria e execução dos serviços. Chamamento Público É importante esclarecer que a forma de seleção da entidade foi por Chamamento Público, que ficou aberto por 30 dias para a participação de quaisquer entidades interessadas, e seguiu rigorosamente a Lei Federal nº 13.019/2014, marco regulatório das parcerias da administração pública com organizações sociais. O ICB atendeu integralmente aos requisitos de habilitação estabelecidos no Chamamento Público, apresentando toda a documentação necessária para comprovar sua capacidade técnica, regularidade jurídica e aptidão para celebrar a parceria. Portanto, é errado falar em licitação nessa situação. Cabe ressaltar que os apontamentos feitos pelo Tribunal de Contas do Município em relação ao chamamento público em 2024 foram todos sanados à época, e a própria Corte concordou com a continuidade do processo. Modelo de repasses à OSC A Prefeitura destaca que as parcerias firmadas pela administração pública com Organizações Sociais (OSCs) seguem um rito de execução completamente distinto dos contratos firmados com empresas, conforme determina a Lei Federal n.º 13.019/2024. Respeitando o previsto nessa legislação, os recursos destinados ao Programa WiFi Livre SP são repassados antecipadamente pela administração municipal para uma conta específica do projeto e as despesas apresentadas pela entidade são analisadas posteriormente por meio de prestação de contas. A fiscalização do Município ocorre por semestre, período mais rigoroso do que o mínimo legal. Em caso de despesas não comprovadas devidamente, os valores são restituídos aos cofres municipais, como já ocorreu com o ICB. Foram devolvidos em 2024 cerca de R$ 1,2 milhão e em 2025 cerca de R$ 930 mil. Portanto, o repasse antecipado ao ICB e qualquer outra organização social é uma determinação da lei para a prestação de serviços junto à administração pública. Parceria com organização social A decisão de firmar uma parceria com uma organização social para a expansão do Programa WiFi Livre em 2024 justificou-se pela natureza da nova fase do projeto: instalação de pontos de internet em áreas vulneráveis da cidade como favelas e comunidade, o que exige uma experiência de cunho social na atuação junto a territórios periféricos, algo que não havia sido feito até então no programa. Antes de optar pela parceria com uma OSC, a Prefeitura fez um chamamento voltado a empresas privadas, mas não houve interessados. O termo de parceria firmado com o ICB permite a subcontratação de serviços de telecomunicações em conformidade com os procedimentos e requisitos legais aplicáveis. Valores repassados para o Programa É equivocada a informação de que a Prefeitura já repassou R$ 157 milhões ao ICB. No primeiro ano da parceria (junho de 2024 a maio de 2025), foram repassados à entidade R$ 69,12 milhões. O valor corresponde a 3.200 pontos de wi-fi em funcionamento, considerando o custo mensal inicial de R$ 1.800 por ponto ao longo de 12 meses (R$ 1.800 x 3.200 pontos x 12 meses = R$ 69,12 milhões). Esse valor incluiu a compra de equipamentos, links de conexão, intermediação com as lideranças comunitárias e a mobilização de equipes para instalação. Ao término do primeiro ano de vigência do Termo de Colaboração, foi realizada uma readequação para a continuidade da operação e manutenção dos 3.200 pontos já instalados. É equivocada a informação de que aditivos foram feitos para a prorrogação de prazo para a instalação de 5.000 pontos, assim como, não procede a afirmação de que a administração municipal pagou por 5 mil pontos de wi-fi. Nos dois aditivos realizados, os valores por ponto de WiFi foram reduzidos para R$ 1.280,80 por ponto. Dessa forma, de junho de 2025 a dezembro de 2025 (6 meses), foram pagos R$ 24,59 milhões para manutenção de operação de 3.200 pontos ao custo do novo valor mensal. De janeiro a dezembro de 2026 (12 meses), o valor é de R$ 49,18 milhões, ou seja, custo mensal de R$ 1.280,80 para manutenção e operação por cada um dos 3.200 pontos durante um ano. O valor é significativamente inferior às propostas recebidas de empresas particulares em 2022 durante pesquisa de preço de mercado, que foram de R$ 2.026,26 e R$ 5.092,14". Karina da Gama é recebida pelo Prefeito Ricardo Nunes (MDB), em visita na sede da Prefeitura de SP, no Centro. — Foto: Reprodução/Redes Sociais O que diz o MP O MP investiga os contratos da ONG em duas frentes: na Promotoria Patrimonial e também na Criminal. Em nota, a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital, informou que "há um inquérito civil em andamento para apurar eventuais irregularidades no Termo de Colaboração n. 01/SMIT/2024, firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e Instituto Conhecer Brasil, cujo objeto consiste na implantação, operação e manutenção de 5.000 pontos de acesso à rede de wi-fi pública em comunidades do município, pelo prazo de 12 meses". A promotoria diz ainda que há "notícia de: A) suposto direcionamento do chamamento público anterior; B) ausência de justificativa técnica ou econômica para o ajuste com organização da sociedade civil; C) celebração de três aditamentos contratuais em sequência, com intervalos de pouquíssimos dias entre a sua solicitação e a efetiva formalização; e D) repasses financeiros originalmente previstos para fases posteriores do ajuste e referentes a serviços ainda não implantados". Operação investiga se dinheiro da Prefeitura de SP foi desviado para filme sobre Bolsonaro REVEJA OS VÍDEOS DA EPTV:
Tarcísio comenta operação sobre contrato de Wi-Fi e defende a polícia | G1
Representação da Polícia Civil cita disparidade de custos entre a empresa municipal e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), contratado pela Prefeitura de SP para executar o programa.
Operação investiga contrato WiFi SP: ONG de Karina Gama cobra R$ 1.800/ponto contra R$ 230 padrão, preço 2x superior. Governance gap em procurement municipal: bando aberto com único participante e pricing desalinhado revela riscos de compliance em partnerships público-sociais.











