Não é preciso muito esforço para alguém lembrar o próprio nome, ou os nomes dos seus responsáveis e do seu pet favorito. Também é moleza apontar qual é a sua cama entre as camas que há em casa, e a sua sala de aula entre todas as outras salas da escola. É que nós sabemos essas coisas todas de cor, expressão que vem do latim e significa algo que vem do fundo do coração.

Na prática, não é bem dos corações da gente que essas informações vêm —elas estão armazenadas e são convocadas por meio do nosso cérebro. Quando precisa lembrar algo, ele recorre à memória, que é a capacidade que todos têm de guardar coisas mentalmente, assim como fazem os computadores, que têm sistemas de memória que arquivam programas e documentos.

"É através das nossas memórias que conseguimos reconhecer pessoas, saber quem são nossos amigos, nossas histórias, e também saber quais são nossos valores e nossas regras morais inquebráveis. Nós aprendemos tudo isso ao longo da vida, e a pessoa que somos hoje depende muito das nossas memórias", diz o psicólogo Bruno Farias, pós-graduado em terapia cognitivo-comportamental.

A gente não vê a memória, mas ela está lá, trabalhando o tempo todo. Farias explica que o cérebro não foi feito para guardar todas as informações do mundo –até porque, se nossa mente não descartasse dados, não conseguiríamos ter espaço suficiente para aprender coisas novas.