Você está no meio de um papo e percebe que perdeu o fio da meada. Ou, um belo dia, não consegue se lembrar do nome de um ator que cita com frequência. Pequenas falhas de memória acontecem com praticamente todo mundo. Mas, diante da rotina acelerada e da avalanche de estímulos à nossa volta, esses lapsos parecem cada vez mais comuns. Afinal, estamos realmente esquecendo mais ou apenas perdendo o foco?

Memória ou atenção?

A preocupação surge quando esses "brancos" começam a interferir no dia a dia do trabalho, nos relacionamentos, nos cuidados com a saúde etc. Em casos mais sérios, disfunções hormonais —como as que acometem as mulheres durante o climatério— e doenças neurológicas podem estar por trás do problema. No entanto, na maioria das vezes, as causas são bem mais simples.

Segundo o neurologista norte-americano Richard Restak, autor do livro "The Complete Guide to Memory: The Science of Strengthening Your Mind", grande parte dos lapsos de memória atuais são, na realidade, problemas de atenção. De acordo com a sua teoria, é preciso estar presente em determinado momento para que ele seja gravado de forma efetiva.

O problema é que, na nossa sociedade atual, fortemente marcada pela lógica produtivista e pela ideia de otimização do tempo, concentrar-se em apenas uma tarefa é cada vez mais difícil. Além disso, a velocidade com a qual consumimos informação diariamente favorece a dispersão em detrimento do foco.