Pesquisa publicada na Nature Human Behaviour aponta que interação com aplicativos pode estimular memória, raciocínio e autonomia ao longo dos anos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Idoso manuseia celular — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/07/2026 - 14:33 Uso de Tecnologias Digitais Reduz Risco de Declínio Cognitivo em Idosos Um estudo publicado na Nature Human Behaviour destaca que o uso de tecnologias digitais por idosos pode reduzir em 58% o risco de problemas de memória. A pesquisa, que analisou dados de mais de 400 mil adultos, sugere que a interação com dispositivos como smartphones e computadores estimula a memória e a autonomia. Especialistas alertam para o uso ativo das tecnologias, que deve complementar habilidades cognitivas sem substituir atividades físicas e sociais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um metaestudo que reuniu dados de 57 pesquisas com 411.430 adultos de 50 anos ou mais concluiu que o uso de tecnologias digitais, como smartphones e computadores, está associado a um menor risco de comprometimento cognitivo. Durante anos, ganhou força a hipótese da chamada "demência digital", segundo a qual o uso frequente de telas prejudicaria as capacidades cognitivas com o envelhecimento. No entanto, uma nova metanálise publicada na revista científica Nature Human Behaviour aponta evidências na direção oposta. O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade do Texas em Austin e da Universidade Baylor, nos Estados Unidos, analisou pesquisas envolvendo adultos com idade média de 69 anos. Os resultados indicam que usuários de tecnologias digitais apresentaram 58% menos chances de desenvolver declínio cognitivo e uma taxa 26% menor de perda das funções cognitivas ao longo do tempo. Os autores atribuem parte desse efeito ao conceito de "reserva tecnológica". Assim como atividades intelectuais e sociais ajudam a criar uma reserva cognitiva que protege o cérebro, o uso frequente de dispositivos digitais também pode exercer esse papel ao estimular o raciocínio, a comunicação e a autonomia. Segundo a neuropsicóloga Inés Arias Paz, usar um smartphone vai muito além de tocar na tela. Aprender novos aplicativos, lembrar senhas, resolver pequenos problemas do dia a dia, organizar compromissos, trocar mensagens e fazer chamadas de vídeo exigem memória, planejamento, aprendizado e flexibilidade cognitiva. A tecnologia também favorece a interação social, fator reconhecido pela ciência como protetor contra o envelhecimento cerebral. Manter contato frequente com familiares e amigos por mensagens ou videochamadas ajuda a reduzir o isolamento social, um dos fatores associados ao comprometimento cognitivo. Uso ativo faz diferença Os especialistas destacam, porém, que nem toda exposição às telas produz os mesmos efeitos. Atividades como enviar mensagens, pesquisar informações, resolver questões bancárias, participar de videochamadas ou aprender a usar novos aplicativos exigem maior esforço mental. Já o consumo passivo de vídeos curtos e redes sociais por horas oferece estímulos cognitivos muito menores. A neurologista Carolina Lomlomdjian afirma que, ao avaliar pacientes com queixas de memória, médicos também investigam como eles utilizam dispositivos digitais. Além de verificar a frequência e o tipo de uso, os profissionais incentivam ferramentas que auxiliem na organização da rotina, em lembretes, jogos de estimulação cognitiva e na comunicação com familiares. Tecnologia pode ampliar autonomia Apesar da ampla presença dos celulares, muitos idosos ainda restringem o uso a funções básicas por medo de errar, sofrer golpes ou danificar o aparelho. Segundo Arias Paz, quando o aprendizado acontece de forma gradual e com acompanhamento, a maioria consegue desenvolver novas habilidades digitais. Isso fortalece a autonomia, aumenta a confiança e representa mais um estímulo para o cérebro. Entre as recomendações estão aprender regularmente novos recursos do celular, utilizar agenda, alarmes e lembretes para organizar compromissos, fazer chamadas de vídeo, buscar informações em fontes confiáveis, realizar cursos online e resolver serviços digitais sempre que possível. Equilíbrio continua sendo essencial Os pesquisadores ressaltam que o estudo é observacional e, portanto, não comprova uma relação de causa e efeito. Além disso, o uso excessivo de dispositivos pode trazer prejuízos, como piora do sono, sedentarismo, ansiedade e distração constante. Também há o risco de depender excessivamente da tecnologia para memorizar informações ou se orientar, como ocorre com o uso contínuo do GPS. Por isso, a recomendação é que os dispositivos sejam usados como complemento — e não substituto — das habilidades cognitivas, aliados a hábitos saudáveis, atividade física, convivência social e aprendizado contínuo.