0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Novos desafios ajudam a manter a mente ativa ao longo dos anos — Foto: Getty Images Chega de esperar os 60 anos para começar a cuidar do cérebro. Não é preciso recorrer a exames sofisticados nem mudar completamente a rotina. Dormir bem, praticar exercícios, aprender um idioma, tocar um instrumento e manter uma vida social ativa são hábitos que fortalecem a memória, o raciocínio e a capacidade de adaptação. Os efeitos dessas escolhas começam a se acumular ainda na vida adulta, muito antes de qualquer sinal de alerta aparecer. — A partir dos 30 anos, embora o corpo esteja no auge, já é hora de investir na chamada reserva cognitiva, uma espécie de fôlego extra que o cérebro guarda para quando mais precisar — afirma a geriatra Maisa Kairalla. Atividade física regular, aprendizado contínuo, alimentação equilibrada e cuidado com a audição ajudam a construir essa reserva ao longo da vida. Para a neuropsicóloga Rochele Paz Fonseca, esse cuidado pode começar ainda antes, na adolescência. Na lista dos hábitos mais poderosos está um dos mais simples: ler. Livros e séries com boas histórias ajudam a exercitar a memória e a concentração, recursos cada vez mais disputados em um mundo de vídeos curtos e conteúdo fragmentado. — A atenção é a porta de entrada do sistema mental — explica. Sem ela, fica mais difícil sustentar qualquer outro tipo de aprendizado. Outro ponto-chave é sair do piloto automático. — Fazer sempre as mesmas tarefas, do mesmo jeito, mantém o cérebro numa espécie de zona de conforto que não desafia muita coisa — explica Rochele. Aprender um idioma, tocar um instrumento, começar um hobby diferente ou se dedicar a uma atividade criativa estimula o cérebro a recrutar funções mais complexas, como planejamento, flexibilidade e controle da atenção. A vida social também entra nessa conta. Interagir com outras pessoas e participar de causas coletivas ativa diferentes habilidades cognitivas ao mesmo tempo, além de desenvolver a empatia, uma das funções mais nobres do cérebro, e ampliar o repertório emocional. Desgaste cerebral Se os bons hábitos ajudam a fortalecer essa reserva, alguns fatores podem acelerar seu desgaste. Um dos maiores vilões, segundo Maisa, é o estresse crônico. Com o tempo, o excesso do hormônio cortisol pode afetar áreas do cérebro ligadas à memória e ao planejamento, enquanto aumenta a atividade da região responsável pelo medo. O excesso de cortisol favorece uma sensação constante de estar no limite e está associado ao burnout, quadro que provoca uma espécie de inflamação cerebral. O excesso de telas é outro ponto que merece atenção. Além de fragmentar a concentração, a exposição à luz azul à noite pode atrapalhar a produção de melatonina, hormônio relacionado ao sono, comprometendo o descanso. E dormir bem é mais importante do que parece. Durante as fases mais profundas do sono, o cérebro ativa mecanismos que ajudam a eliminar resíduos acumulados ao longo do dia. Quando esse processo é prejudicado repetidamente, substâncias associadas a doenças neurodegenerativas podem se acumular. Quer uma boa notícia? Um dos recursos mais eficazes para proteger o cérebro é gratuito: exercício físico. — Quando você se movimenta, o organismo libera substâncias que estimulam o nascimento de novas células e conexões entre os neurônios. A atividade melhora ainda a circulação sanguínea cerebral e reduz a inflamação do organismo como um todo — afirma a geriatra. Também vale cuidar da saúde do coração. Pressão alta, colesterol elevado, diabetes e obesidade prejudicam a circulação de oxigênio e nutrientes para o cérebro, afetando seu funcionamento. É importante ficar atento a alguns sinais do dia a dia. Esquecer onde deixou a chave de vez em quando costuma ser apenas uma falha de atenção. Mas repetir a mesma pergunta várias vezes, perder a capacidade de organizar as próprias contas, trocar palavras com frequência ou apresentar mudanças bruscas de humor sem motivo aparente merecem avaliação médica. Trocando em miúdos, a memória, o raciocínio e a autonomia que você terá daqui a 30 ou 40 anos começam a ser construídos muito antes dos primeiros esquecimentos. E isso depende menos de soluções extraordinárias do que das escolhas feitas todos os dias. Como sair do piloto automático Pequenas mudanças na rotina podem ajudar a preservar funções cognitivas ao longo dos anos. Leia: livros e histórias ajudam a exercitar memória e concentração.Aprenda algo novo: idiomas, instrumentos e hobbies estimulam diferentes funções cognitivas e ampliam o repertório mental. Mexa o corpo: atividade física favorece a circulação cerebral e reduz a inflamação.Durma bem: o sono profundo participa de mecanismos de limpeza de resíduos acumulados no cérebro.Mantenha vínculos: convivência social estimula diferentes habilidades cognitivas e amplia o repertório emocional.Cuide da audição: preservar a capacidade de ouvir também contribui para a reserva cognitiva. Rochele Paz Fonseca, neuropsicóloga — Foto: Arquivo pessoal Fazer sempre as mesmas tarefas, do mesmo jeito, mantém o cérebro numa espécie de zona de conforto que não desafia muita coisa
O cérebro também merece cuidado desde a vida adulta
O cérebro também merece cuidado desde a vida adulta







