O presidente do Tribunal Superior Eleitoral fez uma bobagem, percebeu que fez e agora tenta consertar o mau soneto com um péssimo remendo.
Nunes Marques propõe a entrega de selo de qualidade aos institutos de pesquisa que acertarem os resultados das eleições. Faz isso a fim de se desvencilhar da repercussão negativa à decisão de suspender o levantamento Atlas/Bloomberg, que registrou queda nos índices de Flávio Bolsonaro (PL) após a divulgação do áudio com Daniel Vorcaro.
O gesto, além de inútil, pois os dados já haviam sido divulgados, recendeu a censura. A tentativa de conserto revelou constrangedor desconhecimento sobre o trabalho dos institutos, aos quais cabe captar tendências do eleitorado no transcorrer das campanhas.
À Justiça Eleitoral, sabemos, cumpre garantir ao país eleições livres e limpas, o que já é tarefa ampla e árdua o suficiente para o tribunal evitar atuar onde não é chamado e não propor imprimir chancela do Estado em iniciativas de natureza privada.
Pesquisas não são oráculos, não se destinam a adivinhações. A ideia do ministro Nunes Marques, dá força à errônea —e até disseminada— impressão de que os levantamentos sobre tendências têm a obrigação de cravar acertos sob pena de serem postos sob suspeita de incompetência ou, mais grave, de manipulação deliberada.











