Pressão de empresas e cidadãos americanos prejudicados pode reverter parte da medida 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — Foto: Saul Loeb/AFP Não causou surpresa a decisão do governo americano de impor novas tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Foram cinco reuniões de alto nível entre representantes dos dois países desde a criação de um grupo de trabalho bilateral em maio, mas os argumentos técnicos apresentados não surtiram efeito. Apesar do revés, o governo e o empresariado devem redobrar os esforços para manter canais de comunicação abertos e informar os consumidores americanos dos prejuízos que terão com a medida. Não está descartada a hipótese de uma nova pressão aumentar o número de itens na lista de exceções, imunes à elevação das tarifas. Em nota, o governo brasileiro repudiou o anúncio, criticou a família Bolsonaro e prometeu iniciar trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade. Como sempre ocorre com Donald Trump, a decisão teve motivação política, mas isso não pode servir de álibi para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltar a fazer ameaças vazias ou declarações com objetivos meramente eleitorais. Depois de a Suprema Corte barrar em fevereiro o tarifaço anunciado por Trump no ano passado, a Casa Branca passou a usar a Seção 301 da Lei de Comércio para justificar o aumento das barreiras alfandegárias. No processo movido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), o Brasil foi acusado de práticas comerciais injustas e discriminatórias, como o uso de um sistema de pagamento eletrônico (Pix) desfavorável a bandeiras de cartão de crédito. Mesmo antes do anúncio desta quinta-feira, o comércio bilateral vinha em queda. Ao longo do primeiro semestre, as exportações brasileiras para os Estados Unidos foram de apenas US$ 17,4 bilhões, 13% menos que no mesmo período do ano passado. Trata-se de um dos mais baixos patamares registrados na série histórica, de acordo com a Amcham Brasil. Com a experiência adquirida depois do tarifaço de 2025, é de conhecimento público o que tem mais chance de dar certo e o que está fadado ao fracasso. Por pressão de empresas e consumidores americanos, Trump aprovou no ano passado cerca de 700 produtos na lista de exceções. Ficaram imunes à sobretaxa aviões, componentes aeronáuticos, petróleo, gás natural, minério de ferro, ferro gusa, celulose e fertilizantes. Com o conflito no Oriente Médio ainda sem solução e o preço do barril de petróleo instável, o governo americano está preocupado com a inflação. Esse é um problema que poderá ter efeitos negativos concretos para Trump nas eleições marcadas para novembro. Por isso pode ser útil a coalizão entre empresas brasileiras e americanas indicando o impacto das tarifas nos preços dos produtos. Motivado por Eduardo Bolsonaro, Trump usa barreiras comerciais para interferir em temas domésticos do Brasil desde 2025. Recentemente, seu irmão Flávio esteve em Washington tentando reverter parte do estrago. Ciente de que poderia tirar proveito da situação, o presidente Lula fez desde o começo declarações inflamadas em favor da “soberania nacional”. Nenhuma demoveu Trump. É preciso aprender com a experiência, mudar de estratégia e apostar na pressão por recuos que possam beneficiar empresas brasileiras afetadas. Assim como o tarifaço de 2025, o atual tem bases frágeis.